Investigação mira convênios da Associação Moriá financiados por emendas de congressistas do DF e de outros estados
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta terça-feira (29), a Operação Korban contra suspeitas de desvios de recursos públicos repassados à Associação Moriá por meio de emendas parlamentares. A entidade recebeu R$ 74,5 milhões entre 2023 e 2024, com parte já executada em projetos ligados ao Ministério do Esporte.
Somente parlamentares do Distrito Federal destinaram R$ 53,3 milhões à associação. Entre os que já tiveram repasses efetivados estão o senador Izalci Lucas (PL), com R$ 7,5 milhões, e a deputada distrital Paula Belmonte (Cidadania), com R$ 500 mil. Ambos não são alvos da operação.
Outros autores de emendas incluem:
- Perpétua Almeida (PCdoB-AC): R$ 9,8 milhões
- Rose de Freitas (MDB-ES): R$ 5 milhões
- Fred Linhares (Republicanos-DF): R$ 4,9 milhões
- Pedro Augusto (PP-RJ): R$ 4,7 milhões
- Gilvan Máximo (Republicanos-DF): R$ 1,9 milhão
- Rodrigo Cunha (Podemos-AL): R$ 400 mil
- Reginaldo Veras (PV-DF): R$ 400 mil
A associação também foi indicada em emendas de bancada do DF (R$ 37,9 milhões) e de Minas Gerais (R$ 580 mil).
Segundo a CGU, auditoria inicial identificou possíveis fraudes nos convênios com o Ministério do Esporte para os chamados Jogos Estudantis Digitais (Jedis). O material reunido indica subcontratações suspeitas, empresas de fachada e superfaturamento. A estimativa de prejuízo é de R$ 13,2 milhões.
Os contratos foram firmados com base em documentos com dados falsos, como a autodeclaração de que a associação teria atendido 3,5 milhões de pessoas em Anápolis (GO), cidade com menos de 400 mil habitantes.
A entidade também alegou possuir equipe técnica qualificada, o que não foi confirmado pela apuração. Entre os dirigentes da associação estão um ex-cabo do Exército, um motorista e uma esteticista — todos apontados como laranjas.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino (STF). A PF cumpriu 16 mandados de busca no DF, Acre, Paraná e Goiás, além de bloqueios e sequestro de bens no valor de até R$ 25 milhões.
Após a revelação das suspeitas, Izalci Lucas solicitou, em 25 de julho, a suspensão da transferência de R$ 8 milhões indicados por ele. O parlamentar alegou que o Ministério do Esporte é responsável pela análise, aprovação e fiscalização dos projetos.
O ministério confirmou que os repasses à Moriá foram suspensos preventivamente e informou que acompanha as investigações em apoio à PF e à CGU.
A reportagem tenta contato com representantes da Associação Moriá.
