Veja o que PF usa contra Bolsonaro em relatório final
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Veja o que PF usa contra Bolsonaro em relatório final

Bolsonaro tem visitas autorizadas por Moraes
Pendrive misterioso surge em busca da PF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Investigadores listam transferências, trocas de mensagens e contato com advogado estrangeiro como provas de tentativa de coação ao STF

A Polícia Federal (PF) incluiu transferências financeiras, mensagens e contato com um advogado estrangeiro como provas de que Jair Bolsonaro cometeu crime de coação no curso do processo. O ex-presidente e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foram indiciados nesta quarta-feira (20) por tentativa de interferir na ação penal da chamada trama golpista.

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Entre os elementos citados estão seis repasses de Bolsonaro ao filho, entre janeiro e abril, que somaram R$ 111 mil, além de uma transferência de R$ 2 milhões em maio. Para a PF, os valores fracionados buscavam “evitar o acionamento de mecanismos de controle legal”. Eduardo vive nos Estados Unidos desde fevereiro e manteve reuniões com aliados de Donald Trump para defender sanções contra autoridades brasileiras.

LEIA AQUI A ÍNTEGRA DO RELATÓRIO

Mensagens mostram que o deputado relatou encontros e, em julho, disse que a “Magnitsky no Moraes está muito muito próxima”. Duas semanas depois, os EUA aplicaram a lei contra o ministro Alexandre de Moraes. Eduardo também afirmou que eventual “anistia light” no Congresso poderia encerrar o apoio de Trump ao ex-presidente.

O relatório cita ainda conversas de Bolsonaro com o advogado Martin De Luca, ligado à empresa Rumble e à Trump Media & Technology Group, sobre ações contra Moraes nos EUA. O ex-presidente pediu orientação para mensagens públicas e recebeu uma petição apresentada em tribunal americano. Para a PF, isso mostra alinhamento a interesses externos “dissociados do interesse nacional”.

Na sede do PL, foi apreendido um rascunho de entrevista com perguntas sobre estratégia política de Bolsonaro, como eventual retorno ao cargo ou apoio em 2026. Segundo a PF, o documento teria sido elaborado por grupos estrangeiros interessados em informações estratégicas.

Em nota, Eduardo Bolsonaro afirmou que sua atuação nos EUA buscou apenas “restabelecer as liberdades individuais no país” e classificou o indiciamento como “absolutamente delirante”. “É lamentável e vergonhoso ver a Polícia Federal tratar como crime o vazamento de conversas privadas, absolutamente normais, entre pai e filho e seus aliados”, disse.

 

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