O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, fez uma oferta à deputada federal Caroline De Toni (PL-SC) para que ela desista de disputar uma vaga ao Senado nas eleições de 2026 em Santa Catarina.
A proposta foi apresentada em conversa na noite de ontem (3) e incluiu a oferta para que a deputada seja candidata a vice na chapa do governador Jorginho Mello (PL), que tentará a reeleição. Valdemar também prometeu torná-la líder do partido na Câmara dos Deputados em 2027, caso dispute a reeleição como deputada federal.
Segundo relatos, Valdemar argumentou que o PL precisa cumprir um acordo nacional com o Progressistas (PP), que prevê apoio à candidatura do senador Esperidião Amin à reeleição. A outra vaga ao Senado na chapa de Jorginho seria destinada a Carlos Bolsonaro (PL).
O acordo entre PL e PP também envolve rearranjos eleitorais em outros estados. Na terça-feira (3), o PP rompeu com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e anunciou aliança com o PL no estado.
De acordo com fontes do partido, Caroline De Toni recusou as propostas. Uma nova reunião entre Valdemar, a deputada e o governador Jorginho Mello foi marcada para hoje (4), em Brasília, na tentativa de destravar o impasse.
Valdemar indicou à parlamentar que, caso ela não aceite um “plano B”, poderá intervir no diretório estadual do PL em Santa Catarina para garantir a vaga de Amin na chapa.
Apoio de Michelle Bolsonaro
Após a negativa de Valdemar em apoiar oficialmente a candidatura de Caroline ao Senado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manifestou apoio público à deputada. Em publicação nas redes sociais, Michelle divulgou fotos ao lado de Caroline e do ex-presidente Jair Bolsonaro, com a mensagem “Estamos com você”.
A manifestação foi interpretada como um sinal de respaldo político à deputada diante da articulação conduzida pela direção nacional do partido.

Chapa “pura” e pressão sobre o PP
O governador Jorginho Mello passou a defender publicamente uma chapa “pura” do PL ao Senado em Santa Catarina, com Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro. A posição foi reiterada em evento da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, presidida pela deputada, quando Jorginho se referiu a ela como “senadora” e afirmou que terá seu apoio.
O movimento confronta diretamente o acordo nacional entre Valdemar Costa Neto e o presidente do PP, Ciro Nogueira, e isola Esperidião Amin no estado.
Caso a estratégia de Jorginho avance, PP e União Brasil tendem a migrar para a oposição em Santa Catarina. As siglas negociam apoio ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), ao governo estadual.
A deputada afirmou que pode deixar o PL caso não tenha o apoio formal da legenda para disputar o Senado. Segundo fontes próximas da deputada, Valdemar já informou que não há vaga disponível para Santa Catarina devido ao acordo com o PP.
Cerca de seis partidos já ofereceram vaga para De Toni: Avante, Podemos, PRD, Novo, MDB e PSD, segundo apuração da equipe deste site. Fontes próximas à ex-liderança da oposição indicam que o partido Novo desponta como destino mais provável, caso a desfiliação se confirme.
