O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contribuiu para ampliar a força do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) . Em entrevista ao Metrópoles nesta quarta-feira (1º), o dirigente reconheceu falhas internas e atribuiu parte do cenário atual a decisões tomadas durante o governo anterior.
“Talvez tudo isso tenha acontecido até por uma falha, uma falha nossa no governo Bolsonaro”, disse Valdemar. Na avaliação dele, episódios envolvendo a relação com o Judiciário acabaram fortalecendo Moraes. “O Bolsonaro deu força para o Alexandre crescer. Então, o Alexandre tem força”, afirmou.
O dirigente citou situações em que, segundo ele, o então presidente adotou posturas que facilitaram a atuação do Supremo. “Ele chega lá e pede para o Bolsonaro uma fita de uma reunião de ministros. O que é que o Judiciário tem a ver com isso? […] O Bolsonaro gritava, chingava tudo e entregava a fita”, declarou.
Valdemar também mencionou divergências sobre indicações políticas, questionando interferências em decisões do Executivo.
Além das críticas políticas, o presidente do PL comentou a relação pessoal que mantinha com Moraes. Segundo ele, os dois já foram próximos, mas se afastaram após episódios recentes. “Eu tinha uma boa relação com ele, mas depois nunca mais tive”, disse.
Valdemar relatou ainda insatisfação com uma prisão determinada pelo ministro. “Ele queria que eu passasse o Carnaval lá preso e me prendeu e me soltou no dia seguinte. […] Fiquei chateado”, afirmou.
Apesar disso, o dirigente disse evitar confrontos diretos com o magistrado e com o STF. “Eu respeito os ministros” e procuro não falar “para não arrumar problema para o nosso pessoal”, declarou.
O presidente do PL também destacou que mantém boa relação com outros integrantes da Corte. “Tenho boa relação com o ministro Gilmar Mendes, tenho muito respeito por ele. O Edson Fachin tenho pouca relação, mas tenho muito respeito. Nós temos bons ministros lá”, concluiu.
