Samir Xaud foi eleito neste domingo novo presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Ele recebeu 103 dos 108 votos possíveis, segundo o quórum. A eleição aconteceu na sede da entidade no Rio de Janeiro e usou pela primeira vez o sistema de urna eletrônica. O mandato do médico de Roraima vai até 2029.
A escolha de Xaud ocorre em meio a uma crise de governança sem precedentes na entidade desportiva, não só pelas críticas ao atual sistema de votação como pela judicialização da disputa. A queda de Rogério Caboclo em 2021 levou ao comando da entidade Ednaldo Rodrigues, que protagonizou inúmeras polêmicas.
A última e pivô da sua queda está relacionada à suposta falsificação da assinatura de Antônio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, num acordo para a manutenção de Ednaldo no comando da CBF. O acordo foi inicialmente avalizado pelo ministro Gilmar Mendes, cujo instituto de ensino (IDP) firmou acordo milionário com a entidade na gestão de Ednaldo.
SISTEMA VICIADO
A gestão de Ednaldo também é acusada de capturar o apoio das federações estaduais, com repasses milionários que garantem a manutenção do mesmo grupo no poder. Xaud, de apenas 41 anos, é considerado uma solução de continuidade do poder de Gilmar na CBF. ele obteve o apoio de 25 das 27 federações.
De acordo com o estatuto da entidade, para formalizar uma chapa, um candidato precisa ter o apoio de ao menos oito federações. Os votos das federações têm peso 3 na eleição para a Presidência, enquanto os clubes da séria A tem peso 2 e os da série B tem peso 1. Ao fechar com quase todas as federações, Xaud inviabilizou a concorrência.
Esse sistema também proibiu Ronaldo de desafiar Ednaldo antes, e de Reinaldo Carneiro (Federação Paulista de Futebol) fazer o mesmo contra Xaud, agora. Em protesto, um grupo de 21 clubes decidiu boicotar a eleição, entre eles Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Internacional, Mirassol, Santos, São Paulo e Juventude.
Em nota, os clubes afirmaram que não concordam com o processo vigente e esperam poder “conversar com a nova gestão, para que juntos possamos debater como mudar o processo eleitoral”.
Em seu discurso, o novo presidente da CBF disse que fará uma gestão colaborativa. “Nossa gestão, e faço questão de usar o plural, será marcada pela renovação das ideias e pela agregação de todos aqueles dispostos a contribuir efetivamente para o desenvolvimento pleno do nosso esporte”, disse.
Que comecem os jogos!
