Ednaldo expulso, Gilmar escala substituto e apita vitória por W.O. - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Ednaldo expulso, Gilmar escala substituto e apita vitória por W.O.

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Por Claudio Dantas

Ednaldo Rodrigues criou barulho demais e expôs Gilmar Mendes a um escrutínio público inédito. Ontem, o ex-presidente da CBF peticionou no Supremo para dizer que não quer mais briga e se retirou formalmente de qualquer articulação. Falou em “necessidade de pacificação institucional, preservação da credibilidade da entidade perante os seus filiados, atletas, patrocinadores e, sobretudo, a sociedade brasileira”.

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Será que recebeu algum telefonema de Brasília?

A liminar que garantiu antes a permanência de Ednaldo foi concedida por Gilmar Mendes, que não esconde ser dono do instituto de ensino (IDP) que fechou acordo milionário com a CBF na gestão do próprio Ednaldo e em meio à disputa jurídica. O mesmo ministro indicou 6 diretores para o comando da entidade, além de um vice-presidente, e é apontado como padrinho da indicação de Samir Xaud para suceder Ednaldo.

Xaud é o único candidato e já vem sendo tratado como presidente da entidade.

Desde a Lava Jato, não se via articulações tão heterodoxas, a começar pelo acordo firmado por Ednaldo com o IDP para a criação da chamada CBF Academy; passando pela distribuição do pedido de liminar do cartola ao gabinete de Gilmar — desconsiderando André Mendonça que já era prevento no caso –, e a própria assinatura do Coronel Nunes, avalizando Ednaldo como sucessor.

A velocidade com que Gilmar analisou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pelo PCdoB e o raro acordo que pôs fim à mesma ação também passariam despercebidos, não fosse a decisão do TJ do Rio que escancarou o problema com a assinatura de Coronel Nunes, antecessor de Ednaldo, que teria concordado em passar o bastão, mesmo em coma.

TOMA QUE O FILHO É TEU

No ofício em que abandona a briga e entrega o jogo por W.O., Ednaldo reafirma que a assinatura é verdadeira, mas transfere a responsabilidade para o advogado André Mattos, então Diretor Jurídico da CBF, “quem pessoalmente acompanhou e colheu a referida assinatura”.

Mattos seria um dos seis diretores indicados por Gilmar, assim como Valdecir de Souza, diretor financeiro, e Hugo Teixeira, assessor especial. Curiosamente, o agora ex-presidente da CBF relata em seu ofício de despedida todo o sucesso financeiro e jurídico de sua gestão, inclusive da parceria com a CBF Academy, ampliada para todos os estados, “triplicando o número de alunos e promovendo a capacitação profissional em larga escala”.

Enquanto a imprensa especializada denuncia que Ednaldo mantinha uma sede extraoficial da CBF em Brasília voltada a resolver pendências jurídicas, o ex-dirigente menciona em seu texto a “transformação estratégica promovida pela Diretoria Jurídica da CBF, baseada em princípios de boa governança, organização interna, padronização, controle e integridade nos procedimentos jurídicos”.

Segundo Ednaldo, a CBF carecia até de um cadastro confiável de processos judiciais, havia descoordenação entre mais de 50 escritórios terceirizados e inexistia controle adequado de prazos, petições e estratégias, “o que gerava risco institucional significativo”. Mas tudo melhorou com a profissionalização dessa área, que encerra sua gestão com êxito judicial de 91,05% e retorno financeiro de R$ 443,9 milhões”.

O futebol ensina que não se mexe em time que está ganhando, mas só quando o árbitro não veste a camisa.

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