Urgente: Toffoli anula todos os atos da Lava Jato contra Alberto Youssef - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

Urgente: Toffoli anula todos os atos da Lava Jato contra Alberto Youssef

Toffoli suspende inquérito sobre corrupção na Agência Nacional de Mineração; PF espera decisão do STF para seguir apurações.
FOTO: ASCOM/STF

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Por Redação

Decisão do ministro atinge na origem operação que investigou o Petrolão

O ministro Dias Toffoli acolheu recurso da defesa e anulou nesta terça-feira (15) todos os atos da Lava Jato contra o doleiro Alberto Youssef, peça central da operação que desvendou um dos maiores esquemas de corrupção da história do país. Segundo o magistrado, houve conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da força-tarefa, que teriam agido de forma coordenada para garantir condenações.

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Tenho, pois, diante do quanto narrado pelo requerente e de precedentes deste Supremo Tribunal em casos semelhantes, que se revela incontestável o quadro de conluio processual entre acusação e magistrado em detrimento de direitos fundamentais do requerente.”

Na decisão, Toffoli afirma que as medidas tomadas na 13ª Vara Federal de Curitiba devem ser consideradas nulas, embora o acordo de delação premiada firmado por Youssef continue válido.

A decisão se junta a outras já proferidas pelo ministro desde 2023, que têm desmontado os processos conduzidos pela Lava Jato e beneficiado nomes como Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro e Antonio Palocci.

Entre os argumentos usados pela defesa de Youssef está a instalação ilegal de escutas na cela de presos da Lava Jato em 2014, onde foram gravadas 260 horas de conversas envolvendo o doleiro, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e a doleira Nelma Kodama. Apesar disso, Toffoli baseou sua decisão nas mensagens hackeadas obtidas pela Operação Spoofing, que revelou diálogos privados entre procuradores e Moro.

O traçado objetivo conjunto de obter a condenação de seus alvos levou procuradores e magistrado a deliberadamente combinar estratégias e medidas”, escreveu Toffoli.

Para o ministro, o caso das escutas “delineia bem” as ilegalidades cometidas contra o doleiro, embora o STF ainda não tenha julgado a legalidade da gravação.

Toffoli afirmou que, sob o pretexto de combater a corrupção, os agentes da Lava Jato agiram com parcialidade, violaram o devido processo legal e ultrapassaram suas competências.

Já seria possível, simplesmente, concluir que o requerente foi vítima de diversas arbitrariedades.”

Preso em março de 2014, logo no início da Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef foi condenado por lavagem de dinheiro e por integrar organização criminosa. Posteriormente, ele firmou um novo acordo de delação premiada e, em novembro de 2016, passou para o regime de prisão domiciliar. No ano seguinte, obteve autorização para cumprir o restante da pena em regime aberto.

Ao anular toda a investigação contra o doleiro, o ministro do Supremo torna toda a Lava Jato nula.

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