O ex-ministro do Turismo Gilson Machado acaba de ser preso nesta sexta-feira (13) em Recife (PE). A decisão é do ministro Alexandre de Mores e foi tomada em inquérito sigiloso aberto a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Machado é acusado de tentar atuar para obter, junto ao Consulado de Portugal em Recife (PE), um passaporte português para o coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. A acusação do PGR é de obstrução de justiça e favorecimento pessoal, no âmbito do inquérito sobre a trampa golpista. Ele nega.
O mandado é de prisão preventiva e também de busca e apreensão em seus endereços residenciais e profissionais.
SUSPEITA DA POLÍCIA FEDERAL
O pedido de investigação partiu da própria Polícia Federal, que diz ter reunido indícios da atuação do ex-ministro de Jair Bolsonaro para obter o documento de viagem em nome de Cid. A visita ao consulado teria ocorrido agora em maio.
Gilson, por sua vez, alega que procurou a representação diplomática para tratar de uma questão familiar. “Estou surpreso. Nunca fui atrás de nada a respeito de Mauro Cid. Tratei do passaporte para o meu pai”, disse.
No pedido de abertura de investigação, a PF diz suspeitar de que o ex-ministro pudesse procurar outros consultados ou mesmo a embaixada em Brasília, para facilitar a saída do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
As informações reunidas pela PF apontam “elementos sugestivos” de uma ação de Machado para “obstruir a instrução da Ação Penal n. 2.688/DF e das demais investigações que seguem em curso, com o intuito de viabilizar a evasão do país do réu MAURO CESAR BARBOSA CID, com o objetivo de se furtar à aplicação da lei penal, tendo em vista a proximidade do encerramento da instrução processual”.
Questionado, Mauro Cid disse que a informação era uma “novidade” e que não fez qualquer pedido de passaporte. O advogado Cezar Bitencourt, que o defende, também afirmou não haver qualquer interesse do cliente em deixar o país.
