A CPMI do INSS aprovou agora há pouco (26) a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula A sessão foi marcada por confusão após a votação.
Depois do resultado, parlamentares do PT se aproximaram da mesa diretora para manifesta a indignação com o resultado da votação. Houve bate-boca e empurra-empurra. Deputados precisaram ser contidos por colegas. Entre os envolvidos estavam Rogério Correa (PT-MG), o relator Alfredo Gaspar (União-AL), Evair de Melo (PP-ES) e Luiz Lima (Novo-RJ). A sessão foi suspensa.
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— Portal Claudio Dantas (@PortaldoDantas) February 26, 2026
Quebra de sigilo de “Lulinha”
O nome de Fábio Luís entrou na pauta após reportagens apontarem que ele teria recebido valores de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema de descontos associativos não autorizados contra aposentados e pensionistas.
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Antunes mencionam o repasse de ao menos R$ 300 mil para “o filho do rapaz”. Investigadores apontam que a referência seria a Lulinha.
O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que há indícios de que o filho do presidente teria atuado como “sócio oculto” de Antônio Camilo.
“A necessidade de investigar Fabio Luis decorre diretamente de mensagens interceptadas em que Antônio Camilo, ao ser questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil destinado à empresa de Roberta Luchsinger, responde explicitamente tratar-se de ‘o filho do rapaz’”, afirmou o relator.
Ele acrescentou que a quebra de sigilos e o acesso ao Relatório de Inteligência Financeira (RIF) são “imperativos técnicos” para o avanço das apurações.
Lulinha é citado na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União a deflagrarem, em 18 de dezembro de 2025, nova fase da Operação Sem Desconto.
Em nota divulgada na quarta-feira (25), a defesa de Fábio Luís afirmou que ele não tem relação com as fraudes no INSS e não recebeu valores de origem ilícita.
“Diante da incessante campanha midiática reproduzindo dados parciais e sigilosos de uma investigação em andamento, entendi ser necessário requerer ao STF acesso à investigação”, declarou o advogado Guilherme Suguimori Santos.
Segundo a defesa, o acesso aos autos ainda não foi concedido.
Outros requerimentos aprovados
Ao todo, a comissão aprovou 87 requerimentos na sessão.
Entre eles:
- Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e quebra de sigilo fiscal de Augusto Ferreira Lima;
- Quebra de sigilo bancário da empresa Credcesta (PKL One Participações S.A.);
- Quebra de sigilo bancário do Banco Master;
- RIFs e quebra de sigilo bancário e fiscal de Danielle Miranda Fonteles;
- RIFs e quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva;
- Convocação de Leila Mejdahlani Pereira, presidente do Banco Crefisa;
- Convocação de Marcelo Kalim, CEO do Banco C6 Consignado;
- Convocação de Mario Roberto, presidente do Banco Santander;
- Convocação de Augusto Ferreira Lima;
- Convocação do ex-deputado André Moura;
- Convocação da empresária Danielle Miranda Fonteles;
- Convocação de Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
A CPI também aprovou a convocação de um ex-assessor do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Com a suspensão da sessão, os trabalhos deverão ser retomados em data a ser definida pela presidência da comissão.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, afirmou que a votação seguiu o regimento e que o pedido de verificação de quórum foi atendido.
Segundo ele, “isso foi concedido por se tratar de um procedimento normal”, mas houve solicitação de conferência do painel. Com isso, explicou que passou a valer o número de parlamentares que efetivamente registraram voto, inclusive os favoráveis ao requerimento.
Ele detalhou que, para interromper a votação em bloco, o governo precisaria apresentar a maioria dos votos ou ao menos 15 parlamentares presentes, considerando o painel com 31 integrantes. “O governo apresentou, e eu contei duas vezes, sete votos contrários. Portanto, a pauta de hoje está aprovada na integralidade”, declarou.
Viana também minimizou o tumulto registrado após a votação. “Toda essa movimentação de contrariedade… Ninguém saiu machucado. A oposição tem o direito de se manifestar, o governo também.” Ele acrescentou que o que prevalece é o resultado formal do painel. “No voto, o governo perdeu. Não houve manobra, não houve absolutamente nada. Segui o jogo e o regimento desde o início.”
Ao comentar o desfecho da sessão, afirmou que “quem ganhou foi o povo brasileiro” e classificou a pauta como uma das mais relevantes da comissão. Segundo ele, os requerimentos aprovados tratam de nomes que “têm contas a prestar à CPMI” e representam “o avanço da investigação”.
Depoimentos e ausências
A comissão também iniciou oitivas previstas para a reunião. O empresário Paulo Camisotti prestaria depoimento. Ele é investigado por suposta participação no esquema.
O deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA) e o advogado Cecílio Galvão não compareceram.
Segundo a presidência da CPMI, Araújo alegou motivos de saúde e restrições judiciais impostas pelo ministro do STF André Mendonça.
Galvão alegou compromissos profissionais. Diante da ausência, Carlos Viana determinou que a secretaria do Senado adote providências para viabilizar, se necessário, condução coercitiva.
Com a suspensão da sessão, os trabalhos serão retomados em data a ser definida pela presidência da comissão.
