A Bolívia, principal fornecedora de cocaína para o Primeiro Comando da Capital (PCC), tornou-se o maior esconderijo de chefes da facção, segundo o Ministério Público de São Paulo. “É um hub para criminosos” afirma o promotor Lincoln Gakiya, que investiga o grupo há 20 anos.
Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, ex-líder do PCC nas ruas, foi preso em 16 de maio em Santa Cruz de La Sierra, em ação conjunta da Polícia Federal com autoridades bolivianas.
Ele foi apontado pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, como “um elo importantíssimo” do PCC com o país vizinho. “Por essa conexão que ele fazia nesse país, ainda apontado como um elo importantíssimo do PCC, trazendo droga para cá, (a prisão) cria uma desarticulação importantíssima. É um duro golpe no crime organizado”, disse Derrite.
Investigações indicam que outros líderes do PCC operam na Bolívia, como Patrick Velinton Salomão, o Forjado, atual chefe nas ruas, absolvido de acusações no Brasil. Também estão no país André Oliveira Macedo, o André do Rap, Silvio Luiz Ferreira, o Cebola, Sérgio Luiz de Freitas, o Mijão, e Pedro Luiz da Silva, o Chacal. As defesas desses membros não foram encontradas.
“Forjado e Chacal são os principais nomes hoje. A Sintonia Final, liderada por Marcola, segue ativa, mas eles têm autonomia por estarem em liberdade” diz Gakiya. Forjado, Mijão e Chacal integram a cúpula da facção, gerenciando tráfico, contatos com fornecedores europeus e ordens de punição interna, incluindo execuções.
A escolha da Bolívia acontece por sua proximidade com fornecedores de cocaína, redes de proteção com criminosos locais e corrupção policial. “Sabíamos onde estavam, alguns com endereço conhecido, mas a polícia boliviana não cooperava” revela Gakiya. O governo boliviano e sua embaixada no Brasil não comentaram.
