O presidente Donald Trump deve assinar nos próximos dias uma ordem executiva para elevar a tarifa global dos Estados Unidos para 15% “quando apropriado”. A informação foi confirmada pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
“Então, neste momento, como discutimos, 10% está em vigor. Haverá uma proclamação elevando para 15% quando apropriado”, disse Greer nesta quarta-feira, no programa Surveillance da Bloomberg Television.
A tarifa global de 10% entrou em vigor na terça-feira. A medida ocorre após a Suprema Corte dos EUA rejeitar as chamadas “tarifas recíprocas” defendidas por Trump.
Greer afirmou que o objetivo é manter coerência com acordos já firmados com parceiros comerciais, como União Europeia e Reino Unido. Ele indicou que a eventual elevação não resultará necessariamente em cobrança cumulativa maior para países com acordos vigentes.
“O objetivo é recriar a política que desenvolvemos ao longo do último ano, dar continuidade e estar em posição de honrar os acordos, mas também ter mecanismos de aplicação disponíveis”, disse Greer.
Questionado sobre possível conflito com o acordo entre EUA e União Europeia, o representante comercial afirmou que detalhará posteriormente como a medida poderá acomodar outros países.
O secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, declarou que o acordo com os EUA permanece válido.
“À medida que avançamos nos próximos dias e obtivermos mais clareza, certamente espero que a tarifa de 10% também permaneça intacta”, disse Kyle durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas.”
Greer afirmou que o governo pode levar “alguns meses” para reorganizar o regime tarifário após a decisão judicial. A atual tarifa foi imposta com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite a aplicação por até 150 dias sem aprovação do Congresso.
Durante esse período, a administração pretende abrir investigações comerciais com base em outros instrumentos legais, o que pode resultar em tarifas mais permanentes sobre produtos e setores específicos.
Em relação à China, Greer disse que os EUA pretendem manter tarifas entre 35% e 50%, conforme o produto.
“Esperamos que esse nível permaneça em vigor. Não pretendemos escalar além disso. Pretendemos realmente manter o acordo que tínhamos antes”, disse Greer nesta quarta-feira à Fox Business.”
Sobre o acordo comercial com Canadá e México, conhecido como USMCA, Greer afirmou que negocia protocolos separados com os dois países. Ele indicou que podem ser firmados instrumentos adicionais ao tratado.
“Estou conduzindo negociações separadas com o Canadá e o México, porque nossos relacionamentos com esses países são muito diferentes, e acredito que, ao longo do próximo ano, teremos conversas”, disse. “Talvez tenhamos protocolos separados com o Canadá e o México que anexaremos ao USMCA; precisamos apenas corrigir algumas lacunas.”
Greer reconheceu que Trump já manifestou preocupação com o desempenho do acordo e afirmou que o presidente não considera automática sua renovação.
