Governo dos EUA impõe punições a 115 alvos ligados ao filho de alto dirigente iraniano
O governo Donald Trump anunciou novas sanções contra a principal rede de transporte marítimo do Irã, comandada por Mohammad Hossein Shamkhani, filho de Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo aiatolá Ali Khamenei. A medida atinge mais de 100 indivíduos, empresas e embarcações, incluindo 52 navios e 15 companhias de transporte.
A ação foi descrita pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, como “a maior já adotada desde 2018” no âmbito da campanha de pressão máxima contra o regime iraniano. Segundo o Tesouro, a rede transporta petróleo e derivados do Irã e da Rússia para mercados internacionais, principalmente China, movimentando bilhões de dólares.
O vice-secretário do Tesouro, Michael Faulkender, afirmou que o objetivo é cortar o financiamento de atividades consideradas desestabilizadoras. “Hoje, o Tesouro está sancionando mais de 115 indivíduos, entidades e embarcações que compõem um vasto império de transporte controlado por Mohammed (Hossein) Shamkhani”, declarou.
A estrutura operada pela família Shamkhani utiliza empresas de fachada e passaportes estrangeiros para ocultar as operações e driblar restrições. O pai, Ali Shamkhani, já havia sido sancionado em 2020.
As sanções afetam alvos em 17 países, como Panamá, Itália e Hong Kong. Entre os bens atingidos estão navios-tanque, porta-contêineres e entidades logísticas envolvidas na evasão de sanções.
Autoridades americanas afirmaram que a medida deve dificultar significativamente as exportações iranianas de petróleo, que caíram de 1,8 milhão para cerca de 1,2 milhão de barris por dia, segundo dados recentes do Tesouro dos EUA.
O secretário de Estado Marco Rubio reforçou que o governo continuará pressionando o Irã “até que aceite um acordo que promova a paz e a estabilidade regionais” e abandone “todas as aspirações de uma arma nuclear”.
A nova rodada de sanções foi anunciada após os ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas. Segundo o enviado especial Steve Witkoff, os bombardeios comprometeram a infraestrutura dos locais, o que poderia atrasar o programa nuclear iraniano por até dez anos. O Pentágono, no entanto, estimou o impacto entre um e dois anos.
Em resposta, o chanceler iraniano Abbas Araghchi alertou que o país reagirá com força em caso de novas agressões. “Se a agressão se repetir, não hesitaremos em reagir de forma mais decisiva e de uma forma IMPOSSÍVEL de encobrir”, escreveu em publicação nas redes sociais.
