O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou novas alternativas para o futuro do regime cubano e afirmou que Havana enfrenta pressão econômica crescente para negociar mudanças com Washington.
Segundo declarações do próprio Trump, o governo cubano estaria em dificuldades financeiras e já mantém contatos com autoridades americanas.
“O governo cubano está conversando conosco e está com sérios problemas”, disse Trump em 27 de fevereiro.
“Eles não têm dinheiro. Não têm nada neste momento”, acrescentou. O presidente também afirmou que uma eventual transição poderia ocorrer por meio de uma “tomada de poder amigável”.
Pressão econômica
A estratégia americana combina medidas de pressão econômica com a possibilidade de acordos comerciais e energéticos.
Nos últimos meses, Washington ampliou restrições que afetam o abastecimento energético da ilha. O corte do fornecimento de petróleo venezuelano agravou a crise de energia em Cuba, provocando apagões e racionamento de combustível.
A administração Trump também passou a avaliar tarifas para países que forneçam combustível ao governo cubano.
Ao mesmo tempo, o governo americano flexibilizou parte das regras de exportação e autorizou empresas dos EUA a vender diesel e outros derivados de petróleo para a ilha.
Autoridades americanas discutem ainda um pacote econômico mais amplo envolvendo setores como energia, turismo e infraestrutura portuária.
Contatos com o regime
Relatos da imprensa internacional indicam que integrantes do governo americano buscam interlocutores dentro do círculo político cubano.
Segundo o portal Axios, o secretário de Estado Marco Rubio teria mantido conversas sobre o futuro político da ilha com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-líder Raúl Castro.
O governo cubano nega negociações formais com Washington.
Investigação e pressões legais
Além da pressão econômica, autoridades americanas avaliam medidas judiciais contra dirigentes do regime cubano.
Entre as possibilidades discutidas estão processos em tribunais dos Estados Unidos por crimes relacionados a narcotráfico e tráfico de pessoas.
Estratégia semelhante foi utilizada em investigações contra autoridades venezuelanas.
Contexto regional
A crise econômica em Cuba se agravou após mudanças no cenário regional.
A Venezuela, principal fornecedora de petróleo à ilha por décadas, reduziu drasticamente o envio de combustível.
Com menor apoio externo, o governo de Miguel Díaz-Canel enfrenta dificuldades para manter o abastecimento energético e o funcionamento de serviços básicos.
Nesse cenário, Washington avalia que a combinação de pressão econômica e negociações pode abrir espaço para mudanças no regime cubano.
*Com informações do Washington Post
