Governo Trump vê PCC e CV como risco regional
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
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Governo Trump vê PCC e CV como risco regional

Facções brasileiras entram no radar dos EUA

Foto: Casa Branca/ Flickr.

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Por Redação

Autoridades dos Estados Unidos avaliam que facções criminosas brasileiras representam um risco relevante para a segurança no continente. O Departamento de Estado afirmou que organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão entre os grupos que despertam atenção das autoridades americanas devido à atuação em atividades ilícitas transnacionais. As informações são do jornal O GLOBO.

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Segundo o governo americano, essas organizações estariam envolvidas em operações ligadas ao tráfico de drogas, violência e redes criminosas que ultrapassam fronteiras nacionais. Em nota, o órgão declarou que tais grupos são vistos como ameaças relevantes à segurança regional.

Apesar da avaliação, o Departamento de Estado evitou comentar diretamente a possibilidade de classificar as facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras — mecanismo jurídico que amplia a capacidade de sanções e outras medidas legais contra determinados grupos.

“Não antecipamos possíveis designações terroristas nem deliberações sobre esse tipo de classificação. Estamos plenamente comprometidos em adotar medidas apropriadas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividade terrorista”, afirmou o órgão.

Preocupação no Brasil

A discussão em Washington é acompanhada com cautela pelo governo brasileiro. A hipótese de enquadrar facções nacionais como organizações terroristas foi tema de conversa telefônica no domingo entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

O governo do presidente Lula (PT) defende ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime organizado, mas ressalta que iniciativas desse tipo precisam respeitar a soberania brasileira.

O assunto também deve aparecer na agenda de um futuro encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), em Washington. A reunião ainda não tem data definida.

Nos últimos meses, a possibilidade de adotar instrumentos legais mais severos contra facções brasileiras passou a circular com maior frequência em discussões dentro da administração americana. Caso avancem, essas medidas podem resultar em bloqueio de ativos financeiros, restrições no sistema bancário internacional e sanções contra integrantes ou apoiadores dessas organizações.

Autoridades brasileiras, porém, destacam que a legislação nacional classifica grupos como PCC e Comando Vermelho como organizações criminosas voltadas ao lucro, e não como estruturas terroristas motivadas por razões políticas ou ideológicas — distinção considerada essencial no enquadramento jurídico.

Precedentes na região

A preocupação brasileira também se relaciona a ações recentes dos Estados Unidos contra organizações ligadas ao narcotráfico na América Latina. Em 2025, Washington classificou como organizações terroristas estrangeiras grupos associados ao crime na Venezuela, como a gangue Tren de Aragua e o chamado Cartel de los Soles.

Com esse enquadramento, o governo americano passou a aplicar medidas mais amplas, incluindo sanções financeiras, restrições migratórias e intensificação do uso de inteligência e recursos operacionais no combate ao narcotráfico.

Em janeiro deste ano, forças americanas realizaram uma operação de grande escala em território venezuelano que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados aos Estados Unidos e respondem a acusações relacionadas a narcoterrorismo, tráfico de drogas e posse de armamentos.

Outro episódio recente ocorreu no México, onde o narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração, morreu em fevereiro de 2026 durante uma operação das forças armadas mexicanas que contou com apoio de inteligência dos EUA. O caso reacendeu debates sobre o alcance da cooperação americana em ações de segurança na região.

O que muda com a classificação como grupo terrorista

Nos Estados Unidos, a designação de uma organização estrangeira como terrorista permite a adoção de instrumentos legais mais rígidos. Entre eles estão o congelamento de ativos financeiros, a proibição de transações com o grupo e restrições migratórias a integrantes ou associados.

A legislação também torna crime, em território americano, qualquer forma de apoio material à organização, incluindo recursos financeiros, treinamento, serviços ou fornecimento de equipamentos.

Além disso, a classificação amplia o uso de ferramentas de inteligência e pode abrir espaço para operações mais robustas no enfrentamento dessas organizações.

Para receber essa designação, o Departamento de Estado estabelece três critérios principais: o grupo precisa ser estrangeiro, estar envolvido ou ter capacidade de realizar atividades terroristas e representar ameaça à segurança de cidadãos ou aos interesses nacionais dos Estados Unidos.

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