Toffoli se declara suspeito para julgar prisão de Vorcaro
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Toffoli se declara suspeito para julgar prisão de Vorcaro

Ministro citou “foro íntimo” para se afastar do julgamento que analisará a manutenção da prisão do dono do Master

Caso Master: Relatório da PF menciona conversas sobre pagamentos a Toffoli
Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli se declarou suspeito para participar do julgamento que analisará a manutenção da prisão de Daniel Vorcaro. A detenção foi determinada pelo relator do caso Master na Corte, André Mendonça.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A análise começará a ser feita pela Segunda Turma do STF na sexta-feira (13). Toffoli comunicou o afastamento na noite de ontem (11), horas depois de deixar a relatoria de um processo que pede a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.

Na mesma tarde, Toffoli havia sido sorteado relator de um mandado de segurança que acusa o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de omissão na instalação da CPI. Ao declarar suspeição, o ministro não detalhou os motivos e citou apenas trecho do Código de Processo Civil que prevê a possibilidade de afastamento por “foro íntimo”.

A suspeição foi registrada no processo que analisa a prisão de Vorcaro e não implica, automaticamente, no afastamento do ministro de todos os procedimentos ligados ao Master.

A decisão de Mendonça que será analisada pela Turma da Corte envolve a 3ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março. Na ocasião, foram decretadas as prisões preventivas de Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e de dois suspeitos de integrar uma milícia privada ligada ao banqueiro: Felipe Mourão e Marilson Roseno.

Essas medidas foram tomadas em processo separado do inquérito principal, que investiga fraudes no mercado financeiro, corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados ao Master. Nesse caso mais amplo, Toffoli ainda não declarou suspeição.

A decisão de Toffoli contrasta com a postura adotada pelo magistrado em fevereiro, quando deixou a relatoria do caso sem declarar impedimento, apesar de questionamentos envolvendo negócios com um fundo ligado a Zettel e ao resort Tayayá, que pertenceu à sua família e do qual ele é sócio.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade