Toffoli cogita inelegibilidade de Alessandro Vieira
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Toffoli cogita inelegibilidade de Alessandro Vieira por abuso de poder

Ministro do STF reage a relatório que pede indiciamento e menciona possível abuso com impacto eleitoral

Ministro Dias Toffoli em sessão plenária do STF em 12/02/2026, dia da reunião secreta. Foto: Rosinei Coutinho/STF
Foto: Rosinei Coutinho/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (14) que o relatório final da CPI do Crime Organizado pode configurar abuso de poder com repercussões na esfera eleitoral, incluindo eventual inelegibilidade aos responsáveis.

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“Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando as instituições, para obter voto e conspurcar o voto do eleitor. Porque é disso que se trata, quando surge um relatório aventureiro desse. É tentativa de obter votos”, afirmou Toffoli.

A declaração foi feita na abertura da sessão da Segunda Turma. Segundo o ministro, o documento apresentado pela comissão é “completamente infundado”, sem base jurídica ou respaldo em fatos, e teria como objetivo influenciar a obtenção de votos.

Mais cedo, o senador Alessandro Vieira apresentou o relatório final da CPI do Crime Organizado com pedidos de indiciamento do próprio Toffoli, além dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade.

O ministro Gilmar Mendes também criticou o relatório durante a sessão.

“O pedido formulado pelo relator, voltado ao indiciamento de ministros do STF sem base legal, não é apenas um equivoco técnico, trata-se de um erro histórico. Tenho certeza que o Tribunal vai se debruçar sobre isso. Sobre os usos e abusos que tem sido sistematicamente perpetrados”, afirmou.

O relatório foi apresentado na manhã desta terça. Segundo o relator, os pedidos de indiciamento se baseiam em condutas consideradas incompatíveis com o exercício das funções, como suspeição em julgamentos, possíveis conflitos de interesse e decisões que teriam impactado investigações.

No caso do procurador-geral, o texto aponta omissão diante de indícios considerados relevantes.

Entre os pontos citados, o documento menciona o caso Banco Master, com referência a indícios de irregularidades financeiras e possível relação com esquemas de lavagem de dinheiro.

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