TCU investiga uso de verba pública no Gilmarpalooza
Brasília, Segunda, 08 de junho de 2026
Justiça

TCU investiga uso de verba pública no Gilmarpalooza

Representação apresentada pelo deputado Sanderson (PL-RS) levou à abertura de processo para apurar gastos com passagens, diárias e hospedagens de autoridades brasileiras

TCU
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

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Por Redação

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu um processo para apurar o uso de recursos públicos na participação de autoridades brasileiras no Fórum de Lisboa 2026, evento realizado em Portugal e apelidado por críticos de “Gilmarpalooza”. A investigação foi iniciada após representação apresentada pelo deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS).

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O procedimento, registrado sob o número 012.652/2026-1, foi distribuído ao ministro Benjamin Zymler e terá acompanhamento do Ministério Público junto ao TCU, por meio da procuradora Cristina Machado.

Na representação, Sanderson pede que a Corte de Contas examine despesas custeadas por órgãos públicos para viabilizar a presença de integrantes dos Três Poderes no encontro. O pedido inclui a análise de gastos com passagens aéreas, hospedagem, diárias e outras despesas relacionadas às viagens.

O parlamentar também solicita que sejam verificados os critérios adotados para autorizar os deslocamentos internacionais, incluindo a existência de justificativas formais, relatórios de missão, resultados efetivamente alcançados para a administração pública e eventuais riscos de conflito de interesses.

Um dos pontos destacados no documento é que a fiscalização alcance todos os órgãos que utilizaram recursos públicos para financiar a participação de seus representantes no evento, inclusive o próprio TCU. Integrantes da Corte estiveram presentes no fórum realizado em Lisboa.

Segundo informações citadas na representação, ao menos 135 autoridades e servidores receberam autorização para participar do encontro. O documento também menciona que apenas o Tribunal de Justiça do Piauí e o TCU teriam autorizado aproximadamente R$ 692 mil em diárias, sem considerar despesas com passagens e outros custos.

Ao justificar o pedido de investigação, Sanderson argumenta que a utilização de recursos públicos em viagens internacionais exige elevado grau de transparência. Segundo a representação, é necessário haver “demonstração objetiva do interesse público e prestação de contas à sociedade”, especialmente em situações que envolvam grande número de autoridades e despesas expressivas para os cofres públicos.

Além da apuração dos gastos, o deputado pede que o tribunal avalie a adoção de mecanismos mais rígidos de controle e transparência para a participação de agentes públicos em eventos realizados no exterior. Entre as propostas apresentadas estão a “divulgação prévia dos custos das viagens”, a identificação das fontes de financiamento, a publicação de agendas institucionais e a apresentação de relatórios de resultados.

A abertura do processo não representa conclusão sobre a existência de irregularidades. Nesta fase, o TCU analisará as informações apresentadas e poderá solicitar esclarecimentos e documentos aos órgãos envolvidos antes de decidir sobre os próximos passos da apuração.

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