TCU arquiva representação de Flávio contra ex-nora de Lula
Brasília, Segunda, 08 de junho de 2026
Justiça

TCU arquiva representação de Flávio contra ex-nora de Lula

Tribunal apontou ausência de provas e rejeitou abertura de apuração sobre repasses à Life Tecnologia Educacional

Justiça solta cinco investigados ligados à ex-nora de Lula no caso Coffee Break; TRF-3 converte prisões em medidas cautelares

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou uma representação apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que pedia a apuração de repasses federais destinados à Life Tecnologia Educacional, empresa onde trabalhou Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho mais velho do Lula (PT).

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A decisão foi publicada em 26 de maio e veio a público hoje (8). Os ministros entenderam que não havia elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação.

Segundo o acórdão, o pedido estava fundamentado em informações divulgadas pela imprensa e foi apresentado sem documentação capaz de indicar contratos específicos que justificassem uma apuração pelo tribunal.

A Corte afirmou que a petição estava “desacompanhada de documentos aptos a identificar contratos específicos”, motivo pelo qual decidiu encerrar o processo sem análise aprofundada do mérito.

O arquivamento no TCU não interfere nas apurações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Os órgãos investigam suspeitas de irregularidades em licitações e apuram se Carla Ariane teria utilizado o nome do presidente Lula para facilitar a liberação de recursos federais.

A investigação ocorre no âmbito da Operação Coffee Break, que analisa contratos e repasses envolvendo a área da educação.

Repasses à empresa

De acordo com as investigações, a Life Tecnologia Educacional recebeu cerca de R$ 52 milhões em recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) apenas no município de Sumaré (SP) entre 2021 e 2023.

Os pagamentos ocorreram durante os governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo informações da investigação, a empresa também teria continuado a receber recursos em 2024.

As apurações também analisam uma reunião realizada no Ministério da Educação em 12 de julho de 2024.

Carla Ariane foi recebida na sede da pasta, em Brasília, em um encontro que não constou na agenda oficial. Em registros apreendidos pelos investigadores, ela apareceria identificada como “nora” na agenda do proprietário da empresa.

O Ministério da Educação afirmou, em nota, que não possui relação com a operação policial. A pasta também evitou comentar o encontro ocorrido em 2024. Procurado novamente, o MEC não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Os advogados de Carla Ariane optaram por não comentar as investigações em andamento.

A defesa tem negado as acusações desde o início da Operação Coffee Break, mas não apresentou manifestações adicionais sobre os fatos investigados.

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