O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (28) as audiências com testemunhas de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, investigado por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Os depoimentos começam às 8h.
Cinco pessoas devem ser ouvidas:
- Antonio Ramiro Lourenzo, ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça;
- General Gustavo Henrique Dutra, comandante militar do Planalto no 8 de janeiro;
- Tenente-coronel Rosivan Correia de Souza, da Secretaria de Segurança do DF;
- Márcio Phurro.
Torres indicou mais de 30 testemunhas. As oitivas encerram até a próxima segunda-feira (2). O processo já teve 38 depoimentos, entre eles os de ex-ministros do governo Bolsonaro, delegados da Polícia Federal e ex-servidores da Secretaria de Segurança do DF.
Depoimentos anteriores
Na terça-feira (27), Saulo Moura, ex-diretor-adjunto da Abin, declarou que a agência alertou o governo sobre o risco de invasão aos Três Poderes no dia 6 de janeiro de 2023. A informação foi enviada ao Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), que inclui o GSI, Ministério da Defesa e Ministério da Justiça, então comandado por Torres no DF.
Cíntia Queiroz, ex-subordinada de Torres, afirmou que o Protocolo de Ações Integradas, elaborado antes do 8 de janeiro, não foi seguido. Segundo ela, se o plano tivesse sido executado, a invasão teria sido evitada.
O ex-diretor de Operações da PRF, Djairlon Henrique, também confirmou que recebeu ordens do Ministério da Justiça para realizar blitzes em ônibus com destino ao Nordeste entre os dias 21 e 27 de outubro. Ele negou que a intenção fosse interferir nas eleições. No entanto, outro depoente, Adiel Alcântara, afirmou que Djairlon disse que “era hora da PRF tomar lado”.
Durante a audiência, o delegado Caio Rodrigo Pelim foi informado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, de que é investigado em outro inquérito sobre a atuação da PRF nas eleições de 2022. Pelim, que seria ouvido como testemunha de Torres, passou à condição de investigado e teve garantido o direito ao silêncio.
“Me causa um pouco de surpresa”, declarou Pelim ao ser avisado da investigação. “Fui ouvido como depoente e desconheço qualquer apuração contra minha pessoa”, disse.
