“STF cria brecha para blindar Lulinha”, diz De Toni
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

“STF cria brecha para blindar Lulinha”, diz De Toni

Deputada da oposição critica decisão de Flávio Dino que suspendeu quebra de sigilo de empresária ligada ao entorno de Lulinha

Deputada Carol de Toni critica decisão de Flávio Dino sobre a CPMI do INSS e afirma que medida pode beneficiar investigação envolvendo Lulinha
Deputada Caroline de Toni Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A deputada federal Carol de Toni (PL-SC) criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino que suspendeu a quebra de sigilo da empresária Roberta Luchsinger, ligada ao entorno de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no âmbito da CPMI do INSS.

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Segundo a parlamentar, a justificativa apresentada pelo ministro — questionando a votação em bloco dos requerimentos da comissão — não encontra respaldo na Constituição nem na prática legislativa.

“A última que é inacreditável é que o ministro Flávio Dino suspendeu a Câmara de Seguro da Empresária ligada ao entorno do Lulinha, na CPMI do INSS, alegando problemas na votação em bloco dos 87 requerimentos”, afirmou.

De acordo com a deputada, a votação em bloco é um procedimento tradicional utilizado no Congresso há décadas. Para ela, se a decisão considerar o método inválido, o entendimento deverá atingir todos os requerimentos aprovados na mesma sessão.

Carol de Toni afirmou que “a Constituição não proíbe a votação em bloco” e argumentou que não pode haver “inconstitucionalidade sob medida”.

Segundo a parlamentar, se a decisão atingir um dos requerimentos aprovados, o entendimento deverá se estender aos demais, incluindo o pedido de quebra de sigilo envolvendo o filho do presidente Lula.

A deputada também mencionou elementos citados nas investigações que motivaram os pedidos de apuração na CPMI.

“Nós estamos falando aqui, só relembrando, de uma viagem internacional custeada pelo investigado apontado como a peça central do rombo de mais de 6 bilhões do INSS”, disse.

Ela citou ainda informações mencionadas em investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Segundo a parlamentar, há “depoimento da Polícia Federal mencionando uma mesada de 300 mil reais e mensagem celular de busca e apreensão, falando de repasses ao filho do rapaz”.

Para Carol de Toni, a decisão do STF levanta questionamentos sobre o alcance das investigações.

“O calo apertou e o STF correu para criar brechas para salvar o Lulinha”, afirmou.

A deputada também questionou a tentativa de limitar as apurações conduzidas pela comissão.

“E a pergunta que não quer calar, se não há nada que esconder, por que ativaram a blindagem suprema, por que tanto esforço para impedir que se investigue até o fim”, disse.

Senado manteve votação da CPMI

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que não se surpreendeu com a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de manter a votação realizada pelo colegiado.

Na sessão, a comissão aprovou 87 requerimentos, incluindo o pedido de quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva.

Segundo Viana, a decisão seguiu critérios técnicos previstos no regimento do Congresso. Ele destacou que 31 parlamentares estavam com presença registrada no painel no momento da votação.

“A minha decisão foi estritamente técnica. O painel é que determina a presença dos parlamentares. Se a base do governo queria desde o início agir buscando votos em bloco para derrubar todas as votações, deveriam ter observado o que o regimento diz”, afirmou.

O senador também afirmou que a comissão seguirá conduzindo as investigações.

“Não vamos blindar ninguém. Eu, como presidente, vou colocar em votação todo e qualquer requerimento, seja do nome de quem quer que seja.”

Repercussão no Senado

A decisão de manter a votação da CPMI repercutiu entre parlamentares.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a medida permite o avanço das investigações.

“Depois de maturar o assunto e consultar os órgãos que lhe assessoram, Vossa Excelência tomou uma decisão importante para o Brasil, mas sobretudo para aqueles que estão sendo lesados, privados de suas posses ou direitos no momento mais frágil de suas vidas”, disse.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) também comentou a decisão.

“Venho cumprimentar Vossa Excelência por uma decisão firme e segura, que eleva esta Casa em um momento de muitas dúvidas.”

Já o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que a decisão ajuda a uniformizar procedimentos no Parlamento.

“Nossa dúvida era sobre o procedimento. Nós aceitamos o entendimento porque é assim que deve se comportar uma democracia. Isso serve para uniformizar daqui para diante.”

A CPMI do INSS investiga suspeitas de fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas e possíveis conexões financeiras envolvendo entidades e pessoas ligadas ao caso.

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