Lulinha vai alegar uso indevido de seu nome em negociações com Careca do INSS
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Lulinha vai alegar uso indevido de seu nome em negociações com Careca do INSS

Advogados sustentam que empresário não autorizou intermediações

Lulinha-INSS
Foto: Divulgação

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Por Redação

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, deve adotar como linha central a tese de que seu nome teria sido utilizado sem autorização em tratativas conduzidas pela lobista Roberta Luchsinger junto a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

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A estratégia pretende afastar o empresário de qualquer envolvimento direto nas negociações atribuídas ao grupo investigado. As informações são do portal Metrópoles.

Além de negar vínculo formal com as tratativas, os advogados devem sustentar que eventuais iniciativas teriam partido de terceiros, como o empresário Kalil Bittar, sócio de Lulinha, e da publicitária Danielle Miranda Fonteles. A intenção é reforçar o argumento de que o filho mais velho do presidente não consentiu com o uso de sua imagem para abertura de portas ou articulação de negócios.

Em nota, o criminalista Guilherme Suguimori Santos afirmou que nenhuma pessoa está autorizada a falar em nome de seu cliente e classificou as informações divulgadas como “conjecturas sem suporte na realidade”. Segundo ele, esclarecimentos serão prestados exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal (STF), e não à imprensa.

A investigação tramita sob relatoria do ministro André Mendonça, que determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lulinha. O caso ganhou novo fôlego após dois ex-integrantes da cúpula do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) firmarem acordos de colaboração premiada, nos quais relataram suposto envolvimento do empresário em um esquema investigado pela Polícia Federal.

Viagem e versões contraditórias

Entre os episódios analisados está uma viagem realizada em novembro do ano passado. Documentos da investigação apontam que Lulinha e o chamado Careca do INSS embarcaram no mesmo deslocamento, com passagens e despesas custeadas pelo operador. Relatórios da Polícia Federal indicam inclusive os assentos ocupados por ambos na primeira classe.

Inicialmente, a defesa alegou que o fato de estarem no mesmo voo não significava que tivessem viajado juntos. Posteriormente, após a revelação de registros de emissão dos bilhetes, a versão passou a admitir a viagem custeada por Antunes, mas sem que tenha havido qualquer acerto comercial durante o trajeto.

Em manifestações anteriores, representantes do empresário também sustentaram que ele não era investigado e negaram a existência de delação que o mencionasse. A Polícia Federal não divulgou nota pública sobre o caso à época das declarações.

Lobista sob investigação

Roberta Luchsinger foi alvo de mandado de busca e apreensão em dezembro do ano passado. Para a Polícia Federal, ela integra o núcleo político do grupo supostamente liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes e teria papel relevante na estrutura financeira investigada.

Segundo a apuração, a lobista mantém relação próxima com a família de Lulinha. Ela chegou a dividir uma residência no Lago Sul, área nobre de Brasília, com o empresário. Após a mudança dele para Madri, Luchsinger passou a ocupar o imóvel com frequência. No local, teriam ocorrido encontros sociais e reuniões, inclusive com a presença do operador do INSS.

Neta de um ex-acionista do Credit Suisse, Luchsinger foi uma das principais doadoras da campanha presidencial de 2022. De acordo com colaborador ouvido pela Polícia Federal, ela teria intermediado aproximação entre Lulinha e o Careca do INSS em tratativas relacionadas à possível comercialização de canabidiol ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A corporação solicitou o uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento da lobista, mas o pedido foi negado por Mendonça. Em contrapartida, o ministro determinou a entrega do passaporte e proibiu sua saída do país. Na decisão, o magistrado afirmou que a atuação de Luchsinger seria “essencial” para a movimentação de valores e gestão de estruturas empresariais investigadas por suspeita de lavagem de dinheiro.

Em um dos trechos reproduzidos no despacho, Mendonça menciona áudio enviado por Luchsinger ao operador, no qual há referência direta a Lulinha e a boatos antigos envolvendo seu nome. A citação remete a rumores difundidos nas redes sociais em 2015 que atribuíam falsamente ao empresário participação na marca Friboi, pertencente à JBS.

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