Decisão obriga governo, Congresso e Judiciário a promover ações de transparência entre 2025 e 2026
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o governo federal, o Congresso Nacional e o Judiciário realizem campanhas publicitárias para orientar a população sobre como acompanhar a aplicação das emendas parlamentares, recursos do orçamento público destinados por deputados e senadores a estados, municípios e projetos específicos.
A decisão tem como objetivo garantir mais transparência na destinação do dinheiro público e permitir que qualquer cidadão saiba para onde vai cada centavo do orçamento, fortalecendo o controle social e reduzindo riscos de corrupção e má gestão.
O que são emendas parlamentares
As emendas parlamentares são recursos do orçamento federal que cada parlamentar pode direcionar para obras, projetos e ações nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, entre outros setores, geralmente em suas bases eleitorais.
De acordo com a decisão, entre dezembro de 2025 e março de 2026, os três poderes deverão veicular campanhas explicativas em rádios, TVs, sites oficiais e redes sociais.
Essas campanhas deverão ensinar a população a acessar e compreender as informações sobre as emendas, além de incentivar denúncias de irregularidades ou falhas na execução dos recursos.
O STF também determinou que Tribunais de Contas estaduais e órgãos de controle encaminhem informações detalhadas sobre os atos normativos que tratam da transparência das emendas, reforçando a articulação institucional em torno da fiscalização.
Com a medida, o controle sobre o uso das emendas parlamentares deverá se tornar mais acessível à sociedade. A expectativa é que, com informações claras e ferramentas digitais disponíveis, aumente a participação cidadã na fiscalização dos gastos públicos.
O Supremo ressaltou que a democracia depende de informação, e que uma sociedade bem informada é essencial para garantir o uso correto dos recursos e fortalecer a confiança nas instituições.
O contexto da decisão
A determinação foi tomada no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, proposta pelo partido PSOL.
O processo contou com audiências que reuniram representantes do Tribunal de Contas da União (TCU), da Controladoria-Geral da União (CGU) e dos três poderes da República.

O relator do caso, ministro Flávio Dino, afirmou que o acesso à informação é um direito fundamental e reforçou que a transparência é condição indispensável para o combate à corrupção no Brasil.
“A sociedade precisa ter meios de acompanhar e cobrar a aplicação correta do dinheiro público. Transparência não é opção, é dever democrático”, destacou Dino em seu voto.
