Mendonça exige regularização e libera ação para o Plenário
A decisão atende a manifestações do Ministério Público Federal e solicitações das defesas, que alegavam pendências documentais e inconsistências de intimação capazes de retardar a tramitação.
Mendonça ordenou a regularização imediata das intimações, a inclusão de documentos faltantes e a organização processual necessária para que os autos sejam enviados ao Plenário. Ele foi assertivo ao afirmar que não há justificativa para novo atraso, reforçando que o processo já passou por todas as etapas fundamentais de instrução.
O que é o núcleo 3
O núcleo 3 é um dos mais sensíveis dentro do conjunto de investigações conduzidas pelo STF. Ele envolve militares de alta patente, apontados como responsáveis por operações logísticas, estratégicas e comunicacionais que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), teriam contribuído para dar sustentação ao plano golpista.
Bernardo, coronel do Exército, e Rodrigo, tenente-coronel, são acusados de integrar uma rede de oficiais que teria trabalhado na articulação de estruturas operacionais destinadas a contestar o resultado eleitoral. As denúncias destacam supostos esforços de circulação de desinformação, produção de relatórios paralelos e apoio tático a atos antidemocráticos.
A PGR acusa os réus de:
organização criminosa armada,
tentativa de golpe de Estado,
atentado ao Estado Democrático de Direito,
deterioração de patrimônio público,
e participação em ações destinadas a estimular a ruptura institucional.

A decisão de Mendonça ocorre em um momento de tensão entre setores das Forças Armadas e o Judiciário, especialmente em processos que miram militares da ativa e da reserva envolvidos nos atos antidemocráticos de 2022 e 2023. Apesar de ter sido indicado por Jair Bolsonaro, Mendonça vem atuando com postura técnica nos casos relacionados à tentativa de golpe, acompanhando a linha de investigação conduzida por Alexandre de Moraes.
Com a nova determinação, o processo dos dois militares entra na fase final antes de ser votado pelo colegiado. Nos bastidores do STF, há expectativa de que o julgamento seja pautado ainda no próximo ciclo de sessões, alinhado à prioridade da Corte de concluir as ações penais relacionadas à tentativa de ruptura institucional.
