A bancada de senadores do Distrito Federal protocolou requerimento para ouvir o governador Ibaneis Rocha (MDB) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) sobre o caso Banco Master.
O pedido foi apresentado por Damares Alves (Republicanos-DF), Leila Barros (PDT-DF) e Izalci Lucas (PL-DF). O requerimento ainda depende de análise do colegiado. A votação deve ocorrer após o Carnaval.
Procurado, Ibaneis informou que não pretende comparecer.
O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que o grupo de trabalho criado para acompanhar o caso está em fase inicial. “Não temos alvos pré-definidos”, disse.
No requerimento, os senadores afirmam que Ibaneis atuou publicamente como defensor da tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo o texto, o governador teria defendido a operação em entrevistas e articulações políticas.
A adesão de Damares ao pedido chamou atenção, já que a senadora era considerada aliada do governador e mantém proximidade com a vice-governadora Celina Leão (PP). Interlocutores afirmam que Damares tem reiterado que manterá a pauta de combate à corrupção e que não fará distinção entre investigados.
Ibaneis nega irregularidades nas apurações envolvendo a tentativa de compra do Master pelo BRB. Em declarações anteriores, afirmou que não tratou do negócio diretamente e que a condução da operação cabia à diretoria do banco.
Depoimentos colhidos pela Polícia Federal indicam divergências sobre o nível de conhecimento do governador em relação às negociações. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou ter prestado informações periódicas ao acionista controlador. Já o banqueiro Daniel Vorcaro declarou que se reuniu com Ibaneis em algumas oportunidades.
A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Investigações apuram supostas irregularidades em operações envolvendo ativos de baixa liquidez e a atuação do BRB na compra de carteiras de crédito.
Além da articulação no Senado, há pedidos de CPMI no Congresso Nacional para investigar o caso. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que eventuais CPIs seguirão a ordem cronológica dos requerimentos já protocolados.
