BRB multiplica gastos com patrocínios sob Ibaneis
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

BRB multiplica gastos com patrocínios sob Ibaneis

Escalada nos gastos ocorre enquanto BRB enfrenta prejuízos bilionários com ativos do Master

BRB negocia venda de carteira de quase R$ 1 bi com bancos após prejuízos com Master
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Por Redação

O Banco de Brasília (BRB) ampliou de forma expressiva os gastos com patrocínios durante a gestão de Ibaneis Rocha (MDB) no DF, mesmo estando sob investigação da PF no caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e enfrentando um rombo bilionário decorrente da compra de ativos do banco liquidado.

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Levantamento do Estadão, com base em dados oficiais da instituição, mostra que as despesas com eventos e apoios comerciais cresceram 14 vezes nos últimos anos.

Para 2025, o BRB reservou R$ 125,8 milhões para patrocínios. Uma década atrás, o gasto anual nessa rubrica era de cerca de R$ 1 mi. A virada ocorreu a partir de 2019, primeiro ano do governo Ibaneis, quando as despesas saltaram para R$ 7,2 milhões e passaram a subir de forma contínua.

Entre janeiro e setembro de 2025, o banco já havia desembolsado R$ 82,3 milhões do total previsto. No período mais recente detalhado, o terceiro trimestre, os recursos financiaram desde congressos de procuradores até um show do cantor Roberto Carlos, realizado em João Pessoa.

Um dos contratos mais polêmicos foi firmado em 2020, quando o BRB passou a patrocinar o Flamengo por R$ 32 milhões anuais. O acordo foi alvo de apuração do Tribunal de Contas do DF, após questionamentos do Ministério Público de Contas sobre sua regularidade.

O banco impôs sigilo aos documentos que embasaram o contrato e afirmou que o objetivo era fortalecer e nacionalizar a marca. O patrocínio segue em vigor, e a instituição tenta renová-lo.

Ibaneis é torcedor declarado do Flamengo e, um ano antes do início do contrato, chefiou a delegação do clube em uma partida da Libertadores, no Equador.

Segundo o Estadão, o BRB também destinou recursos a eventos institucionais e culturais em 2025. Em setembro, repassou R$ 300 mil ao Congresso Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal.

Em julho, liberou R$ 500 mil para a Conferência Nacional de Segurança Pública ILAB. Já em agosto, aportou R$ 1 milhão para o show “Eu Ofereço Flores”, de Roberto Carlos, no aniversário de João Pessoa.

O banco ainda investiu em eventos esportivos. Apenas no terceiro trimestre, cerca de R$ 3,8 milhões foram destinados à Stock Car, incluindo patrocínios aos pilotos Lucas Foresti e Enzo Elias.

A escalada nos gastos por Ibaneis ocorre enquanto o BRB tenta administrar os impactos das operações com o Master: À PF, o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que as perdas com a compra de ativos da instituição podem ultrapassar R$ 5 bilhões.

Após o BC identificar problemas nas carteiras, parte dos ativos foi substituída por outros papéis do Master. O BRB alegou ter recuperado cerca de R$ 10 bi, mas ainda se encontra com prejuízo.

Procurado pelo Estadão, o BRB não comentou os dados sobre patrocínios. O governo do DF, por sua vez, afirmou em nota que o banco “tem solidez” e que pretende vender ativos para regularizar a liquidez, além de adotar medidas para ajustar o capital da instituição.

O contexto financeiro do DF também é delicado: em 2025, o governo distrital fechou o ano com déficit de R$ 926,5 milhões, acima do rombo de R$ 644,7 milhões registrado em 2024. Em 2026, último ano do mandato de Ibaneis, o orçamento segue pressionado por despesas não quitadas no ano anterior.

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