Proposta teve apoio de oito democratas e segue para votação na Câmara; texto garante financiamento parcial até 2026
O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de segunda-feira (10) um acordo para encerrar o “shutdown” que já dura 41 dias e afeta milhões de cidadãos. O texto assegura o financiamento parcial do governo federal até outubro de 2026 e segue agora para a Câmara dos Deputados, onde deve ser votado nesta quarta-feira (12).
A proposta recebeu 60 votos favoráveis, incluindo oito democratas, e 40 contrários, entre eles o republicano Rand Paul. O projeto garante recursos para o Departamento de Agricultura, programas militares e o funcionamento do Congresso, além de prever o pagamento retroativo aos servidores públicos que ficaram sem trabalhar e proteção contra novas demissões até o início de 2026.
Debate sobre subsídios e impasse partidário
O texto não inclui a prorrogação dos subsídios de planos de saúde, principal exigência dos democratas, cujo prazo termina em dezembro. A liderança republicana, alinhada ao presidente Donald Trump, rejeitou ampliar os benefícios.
A aprovação foi possível após oito senadores democratas aceitarem o compromisso do líder da maioria, John Thune, de votar o tema em separado, em dezembro.
“Não tínhamos como avançar na questão da saúde porque os republicanos disseram: ‘Não vamos discutir saúde com o governo paralisado’”, afirmou o senador Tim Kaine ao New York Times.
A decisão dividiu o Partido Democrata. Bernie Sanders classificou a medida como “catástrofe política”, enquanto Edward Markey disse que “o povo americano quer que impeçamos o assalto, não que dirijamos o carro da fuga”.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, votou contra o texto e culpou Trump pela crise:
“Os republicanos se recusaram a ceder um centímetro sequer. O ‘shutdown’ expôs a profundidade da crueldade de Donald Trump.”
Próximos passos na Câmara
Na Câmara, o presidente Mike Johnson convocou os deputados a retornarem do recesso para deliberar o projeto. Ele estima que a votação ocorra na quarta-feira (12).
Trump já declarou que sancionará o texto caso ele chegue à sua mesa, mas a aprovação final ainda é incerta. A maioria republicana é de apenas seis cadeiras (219 a 213), e a oposição democrata mantém resistência.
Deputados que participariam da COP30, em Belém, cancelaram a viagem para acompanhar a votação. A ala mais à esquerda rejeita o acordo firmado no Senado e duvida da promessa de votação futura sobre os subsídios.
Entre os republicanos, há divisões internas. A deputada Marjorie Taylor Greene, aliada de Trump, rompeu com o partido e se posicionou a favor da manutenção dos subsídios de saúde:
“Quando os créditos fiscais expirarem, os prêmios do seguro dos meus filhos adultos vão dobrar, assim como os de todas as famílias trabalhadoras do meu distrito”, escreveu no X.
