Impasse entre republicanos e democratas sobre o orçamento federal mantém negociações travadas
O governo dos Estados Unidos completa nesta quarta-feira (5) 36 dias de paralisação parcial, o período mais longo já registrado na história do país. O impasse começou em 1º de outubro, quando o Congresso não chegou a um acordo sobre o orçamento federal para o novo ano fiscal.
Desde então, a Câmara e o Senado vêm trocando vetos sucessivos, sem avanço nas negociações. O núcleo do embate está na exigência dos democratas pela prorrogação de subsídios de saúde previstos no Affordable Care Act (Lei de Acesso à Saúde), enquanto republicanos, liderados pelo presidente Donald Trump, condicionam qualquer acordo à reabertura total do governo, sem a manutenção dos benefícios.
Republicanos X Democratas
Com 53 cadeiras no Senado, os republicanos precisariam do apoio de pelo menos sete democratas para atingir os 60 votos necessários à aprovação de um novo orçamento — apoio que ainda não conseguiram. Trump, por sua vez, pressiona sua bancada a abolir a barreira dos 60 votos, o chamado “obstrucionismo legislativo”, o que dividiria ainda mais o Congresso.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, reconheceu que o impasse “excedeu todas as expectativas” e afirmou que ainda não há acordo entre os partidos. Um pequeno grupo bipartidário apresentou uma proposta intermediária sobre os custos do seguro de saúde, mas as negociações seguem travadas.
Trump reforçou que não aceitará concessões e sugeriu que o Senado elimine a regra que exige 60 votos para aprovar medidas orçamentárias — proposta que enfrenta resistência dentro do próprio Partido Republicano.
Prejuízo econômico
De acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), o shutdown já causou perdas entre US$ 7 bilhões e US$ 14 bilhões à economia.
A Câmara de Comércio dos EUA calcula que cerca de 65 mil pequenas empresas contratadas pelo governo têm US$ 12 bilhões em pagamentos em risco apenas neste mês.
O consumo das famílias, que representa dois terços da economia americana, mostra sinais de desaceleração, especialmente entre as classes média e baixa.
A suspensão de relatórios econômicos e dados oficiais também compromete a atuação do Federal Reserve (Banco Central dos EUA), que fica sem informações atualizadas para definir a política de juros.
Desde 1981, os Estados Unidos registraram 15 paralisações parciais do governo. O recorde anterior era de 35 dias, em 2019, também durante a gestão Trump.
