Senado aprova PL Antifacção com mudanças ao texto de Derrite
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Senado aprova PL Antifacção com mudanças ao texto de Derrite

Senado Federal Foto: Reprodução
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Por Redação

Segundo Lewandowski, texto aprovado pelo Senado “recuperou 90%” da versão enviada pelo governo

O Senado aprovou por unanimidade o PL Antifacção. O relatório de Alessandro Vieira (MDB-SE) reverteu pontos incluídos por Guilherme Derrite (PP-SP) no texto aprovado pela Câmara. Por isso, o projeto retorna à Casa Baixa para nova análise.

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Os senadores também rejeitaram ontem (10) o destaque apresentado pelo líder do PL, Carlos Portinho (RJ), que equiparava crimes de facções a terrorismo.

Penas mais baixas e retorno ao texto original do governo

O Senado derrubou o principal endurecimento aprovado na Câmara:

  • Derrite havia fixado pena de até 40 anos para líderes de facções como PCC e Comando Vermelho.

  • Vieira reduziu o teto para 30 anos, alinhado à proposta original do Executivo.

A mudança atendeu a “alertas” do Ministério da Justiça e da PF, que apontaram risco jurídico no modelo aprovado pelos deputados. O ministro Ricardo Lewandowski disse que o relatório de Vieira “recuperou 90%” da versão enviada pelo governo.

O Senado também reverteu:

  • a proibição do voto de presos incluída pela Câmara;

  • a retirada da competência do Tribunal do Júri para julgar homicídios cometidos por integrantes de facções.

‘Facção criminosa’: definição legal e aumento escalonado de penas

O texto do Senado cria formalmente o crime de facção criminosa, definindo-o como organização que:

  • dispute ou controle territórios, ou

  • atue em mais de um estado.

A pena base é de 15 a 30 anos. Se o condenado ocupar posição de comando, a pena pode ser dobrada, chegando a 60 anos. E, com agravantes específicos previstos para líderes ou integrantes de facções, milícias ou grupos similares, a condenação pode atingir até 120 anos.

Bens apreendidos: Senado derruba regra da Câmara e centraliza tudo na União

O relatório de Vieira revogou as mudanças aprovadas por Derrite que ampliavam o repasse de bens e valores confiscados para fundos estaduais.

O Senado:

  • centraliza na União o controle de todos os recursos recuperados de organizações criminosas;

  • determina que o governo regulamente, em 180 dias, os fundos federais de segurança pública.

O relator também retirou o crime de “domínio social estruturado”, criado pela Câmara para enquadrar grupos que controlam territórios. Vieira disse que o conceito era “vago” e poderia gerar distorções.

Outro ponto restaurado: a possibilidade de delatores atuarem como infiltrados, medida prevista no texto original do governo e retirada por Derrite.

Nova fonte bilionária de financiamento: taxação das bets

O Senado incluiu no PL a criação da Cide-Bets, contribuição sobre apostas de quota fixa.
Segundo estimativas citadas por Vieira, a medida pode gerar até R$ 30 bilhões por ano — o que ele descreve como “o maior investimento em segurança pública já feito no país”.

Empresas do setor criticam o modelo, afirmando que o aumento de tributos pode empurrar apostadores para o mercado ilegal, beneficiando as próprias facções.

Investigações digitais, infiltração e uso de spywares

O texto reforça o arsenal investigativo contra facções. O PL:

  • regulamenta o uso de spywares para interceptações, com autorização judicial;

  • permite espelhamento de aplicativos, inclusive em modo ativo, em operações de infiltração;

  • valida gravações feitas por um dos interlocutores, que antes só serviam à defesa;

  • autoriza criação de identidades fictícias, inclusive pessoas jurídicas, para agentes infiltrados.

Bloqueio emergencial de bens e acesso a dados

O projeto amplia instrumentos de sufocamento financeiro das facções. Ele:

  • permite a delegados e procuradores requisitarem diretamente relatórios do Coaf;

  • cria bloqueio emergencial de ativos por até 5 dias quando houver risco de ocultação;

  • autoriza, em casos excepcionais, a requisição imediata de geolocalização e registros de conexão, com comunicação ao juiz em 24h;

  • impõe prazos rígidos: 15 dias para decisões cautelares, ou 24 horas em urgências;

  • proíbe que investigados, parentes ou sócios sejam nomeados depositários de bens;

  • amplia a possibilidade de alienação antecipada de bens antes do fim do processo.

Competência do Júri e proteção a jurados

O Senado restaurou integralmente a competência do Tribunal do Júri — que a Câmara havia retirado — para julgar homicídios ligados ao crime organizado.

Para garantir segurança, o texto cria:

  • sigilo de dados pessoais dos jurados;

  • escolta;

  • sessões por videoconferência sem contato visual com o réu;

  • ampliação do desaforamento para comarcas maiores quando houver risco à imparcialidade.

Armas de guerra e crimes relacionados

O endurecimento penal se concentra em armamento pesado. O PL:

  • tipifica a fabricação clandestina de armas automáticas e fuzis;

  • criminaliza a posse de blueprints usados para impressão 3D de armas;

  • dobra penas de posse, porte ou comércio quando o armamento for de alto poder ofensivo.

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