“Sem parentes no Judiciário”, diz Messias ao defender trajetória
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Política

“Sem parentes no Judiciário”, diz Messias ao defender trajetória

Indicado ao STF exalta concurso público e fala em mérito pessoal

Messias também defendeu o fortalecimento de mecanismos de controle e transparência no Judiciário. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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Por Redação

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou nesta quarta-feira (29), durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que construiu sua carreira sem influência familiar no sistema de Justiça e destacou o papel do concurso público em sua trajetória.

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“Sou um beneficiário dos direitos sociais que o constituinte de 88 legou ao povo brasileiro. Se consigo chegar até aqui, é a partir do concurso público, que pressupõe impessoalidade, meritocracia, sem ter parentes no Judiciário”, declarou.

Em seguida, completou: “Fui a primeira pessoa da minha família a conseguir um cargo por concurso público”.

Durante a exposição inicial, o indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) ressaltou as dificuldades enfrentadas por quem não possui conexões no serviço público.

“Para quem é filho da classe média e não tem parente, não tem padrinho, isso é muito difícil em um país que ainda carrega traços patrimonialistas”, afirmou.

Messias também defendeu o fortalecimento de mecanismos de controle e transparência no Judiciário. “Em uma República, todo Poder deve se sujeitar a regras e contenções. Demandas por transparência e prestação de contas não devem causar constrangimento a nenhuma instituição”, disse.

Ao tratar do papel do Supremo, o advogado-geral da União afirmou que a Corte precisa se manter aberta a ajustes institucionais. “É dever do Supremo aprimorar-se com lucidez institucional. Para permanecer respeitado, deve demonstrar à sociedade que dispõe de ferramentas efetivas de transparência e controle”, declarou.

O indicado ainda destacou a importância da credibilidade do tribunal. “A credibilidade do STF é um compromisso e uma necessidade”, afirmou, acrescentando que a Corte tem se mantido como “guardiã da Constituição” ao longo dos anos.

Questionado sobre temas sensíveis, como o aborto, Messias adotou tom cauteloso.

“Sou totalmente contra o aborto, absolutamente. Da minha parte, não haverá qualquer tipo de ativismo com relação ao tema na minha jurisdição”, disse, ao defender, ao mesmo tempo, uma abordagem humana sobre a questão.

Indicado pelo presidente Lula (PT), Messias passa pelo crivo do Senado em duas etapas. Primeiro, precisa ser aprovado na CCJ. Se avançar, o nome será submetido ao plenário, onde são necessários ao menos 41 votos favoráveis, em votação secreta.

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