Senado aprova projeto que proíbe bloqueio de recursos das agências reguladoras
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
Política

Senado aprova projeto que proíbe bloqueio de recursos das agências reguladoras

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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Por Redação

O Senado Federal aprovou ontem (16), por 51 votos a 17, um projeto que impede o governo federal de bloquear recursos das agências reguladoras. A proposta altera a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

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De autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE), o texto inclui os gastos das 12 agências reguladoras federais entre as despesas que não poderão ser alvo de contingenciamento orçamentário.

A votação ocorre semanas após o governo Lula (PT) determinar, por meio do Decreto 12.990, a limitação de até R$ 1,6 bilhão em despesas das agências até o fim de 2026.

Segundo o autor, os bloqueios comprometem a atuação de órgãos responsáveis pela fiscalização de setores estratégicos da economia. Para ele, o contingenciamento “pode impactar negativamente setores estratégicos, especialmente aqueles essenciais para o funcionamento eficiente da economia e para a promoção do desenvolvimento econômico e social”.

Relator da proposta, o senador Marcos Rogério (PL-RO) afirmou que a autonomia das agências fica esvaziada quando o Executivo pode restringir a execução de seus orçamentos para cumprir metas fiscais. “Agência reguladora não é braço do governo de plantão, é órgão de Estado. Mas há uma contradição: garante-se a autonomia, mas o Orçamento pode negá-la. Sem recursos, essa autonomia deixa de existir na prática”, declarou.

O projeto abrange órgãos como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A discussão ganhou força após alertas sobre a deterioração orçamentária desses órgãos. Em manifestação ao Tribunal de Contas da União (TCU), a Anac informou que seu orçamento de 2025 corresponde a apenas 33,3% do valor corrigido registrado em 2013.

A agência chegou a anunciar corte de cerca de 40% das ações de fiscalização, mas recuou após receber um aporte de R$ 25 milhões do governo federal.

Durante a discussão da proposta, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que as agências enfrentam um processo de enfraquecimento. “As agências às vezes são criticadas e punidas, mas elas não têm hoje condições de poder fazer o trabalho, um serviço para que elas foram criadas”, disse.

Em audiência na Comissão de Infraestrutura, dirigentes de agências reguladoras afirmaram que a redução de recursos compromete a capacidade de fiscalização do Estado e afeta a prestação de serviços considerados essenciais.

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