PF diz que “Turma” de Vorcaro tinha fuzis e lembra “Rússia de Putin”
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
Política

PF diz que “Turma” de Vorcaro tinha fuzis e lembra “Rússia de Putin”

Relatório ao STF descreve grupo armado, blindados e esquema de intimidação ligado ao ex-controlador do Banco Master

MP pede ao TCU investigação sobre autoridades em festas de Vorcaro
Foto: Divulgação/Lide

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Por Redação

A Polícia Federal (PF) detalhou, em relatório tornado público nesta terça-feira (17) por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a atuação da chamada “Turma”, grupo apontado pelos investigadores como uma estrutura clandestina utilizada para proteger interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de familiares.

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Segundo a corporação, o esquema possuía características de uma organização paramilitar, com integrantes armados, veículos blindados, métodos de contrainteligência e atuação em diferentes estados.

De acordo com a investigação, a estrutura seria coordenada por pessoas ligadas ao banqueiro, incluindo seu pai, Henrique Vorcaro, e teria como um dos principais operadores Felipe Mourão, apelidado de “Sicário” em mensagens interceptadas pela PF.

Um dos episódios citados no relatório envolve uma reunião organizada no Rio de Janeiro por Manoel Mendes Rodrigues, identificado pelos investigadores como responsável por um núcleo armado da organização. Conversas obtidas pela PF mostram que visitantes teriam sido recebidos em um ambiente cercado por seguranças armados e carros blindados.

Segundo os diálogos, a intenção era transmitir sensação de proteção aos convidados. O efeito, entretanto, teria sido o contrário. Em uma das mensagens interceptadas, participantes relataram medo diante do aparato montado e compararam a cena à “Rússia de Putin”, referência reproduzida no relatório policial. Conforme os investigadores, um dos presentes teria permanecido praticamente sem falar durante o encontro devido ao grau de intimidação provocado pela estrutura de segurança.

A PF afirma que o grupo dispunha de armamento de grosso calibre, incluindo fuzis, além de pessoal treinado, proteção balística e uma cadeia hierárquica definida. Para os investigadores, os elementos identificados se assemelham aos utilizados por organizações paramilitares.

Segurança armada e sniper

Outro trecho do documento relata o uso de um atirador de elite para monitorar uma reunião relacionada aos interesses da família Vorcaro. Em conversa interceptada, Manoel Mendes afirmou que compareceu sozinho a um encontro após posicionar um “sniper” à distância como medida de segurança.

As investigações apontam ainda que o grupo mantinha uma estrutura própria para proteção de integrantes e pessoas ligadas à organização. Entre os nomes citados pela PF estão familiares de Daniel Vorcaro e pessoas investigadas em fases anteriores da Operação Compliance Zero.

Ameaças e monitoramento de desafetos

O relatório também reúne o depoimento do chef de cozinha Leandro Garcia, ex-funcionário de uma residência de praia ligada a Vorcaro em Angra dos Reis. À PF, ele afirmou ter sido abordado por um grupo de aproximadamente oito pessoas, entre elas Manoel Mendes e Felipe Mourão.

Segundo seu relato, Manoel teria afirmado atuar a mando de Daniel Vorcaro e buscava descobrir se o cozinheiro possuía informações, imagens ou qualquer material relacionado ao banqueiro. Leandro disse ainda ter recebido uma advertência velada durante o encontro, o que interpretou como tentativa de intimidação.

Mensagens analisadas pela PF mostram que Vorcaro encaminhou dados pessoais do cozinheiro e de outro homem para Felipe Mourão, solicitando levantamentos sobre ambos. Em outro diálogo reproduzido no relatório, o banqueiro sugeriu uma ação para intimidar o ex-funcionário e discutiu a participação de policiais ou integrantes ligados ao jogo do bicho.

Linhas internacionais e reuniões sigilosas

As apurações também identificaram o uso frequente de números de telefone registrados no exterior. Segundo a PF, integrantes da organização recorriam a linhas da Colômbia e dos Estados Unidos, além de mensagens temporárias e encontros presenciais, como forma de dificultar o rastreamento das comunicações.

Imagens de câmeras de segurança analisadas pelos investigadores mostram ainda reuniões reservadas entre integrantes do grupo em locais afastados de testemunhas, em uma dinâmica que, segundo a PF, buscava evitar registros eletrônicos das conversas.

Suposta ação contra ex-jogador da NBA

Outro ponto do relatório trata de conversas envolvendo o ex-jogador da NBA Rony Seikaly. De acordo com a PF, mensagens interceptadas indicam que Daniel Vorcaro discutiu com Felipe Mourão a possibilidade de montar uma armadilha para atingir o ex-atleta.

Os investigadores afirmam que integrantes da “Turma” chegaram a produzir um documento falso em nome da Interpol utilizando credenciais vinculadas a uma servidora do Ministério Público Federal para obter informações sobre Seikaly. A corporação sustenta que a ação fazia parte de uma estratégia de monitoramento e pressão contra desafetos do banqueiro.

As conclusões constam dos autos da Operação Compliance Zero, que apura a existência de uma rede de espionagem, intimidação e obtenção irregular de informações em benefício de integrantes do grupo investigado. As apurações seguem em andamento no STF.

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