Ministério da Agricultura freia mudanças e tenta acordo
O aumento da Selic nos últimos meses impactou diretamente o Plano Safra 2025/2026, que será anunciado por Lula nesta terça-feira (1º), no Palácio do Planalto. Com a taxa básica de juros indo de 10,5% para 15% ao ano, todas as linhas de crédito agrícola devem registrar alta entre 1,5 e 2 pontos percentuais em relação ao plano anterior.
Mesmo com o cenário desfavorável, o Ministério da Agricultura se diz satisfeito por ter conseguido mitigar parte do efeito da Selic e ampliar os recursos para equalização de juros. A expectativa é que o novo Plano Safra chegue perto dos R$ 600 bilhões, acima dos R$ 584 bilhões do ciclo anterior. O valor inclui o montante destinado à agricultura familiar e os CPRs vinculados às Letras de Crédito Agrícola (LCAs).
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) travou uma disputa contra o fim da isenção do Imposto de Renda sobre as LCAs, medida incluída no pacote para compensar a não elevação do IOF. A FPA afirma que 40% do financiamento da safra depende dessas letras e articula no Congresso para barrar a proposta, com apoio de partidos do Centro.
Além disso, o Ministério da Agricultura recuou da ideia de anunciar já nesta terça mudanças no Seguro Rural. O plano de unificar o mecanismo com o Proagro, voltado a pequenos produtores, ficou em espera, após reação negativa do setor. A frente parlamentar pede R$ 3 bilhões para o seguro em 2025/2026 e considera a fusão “um duro golpe”.
O congelamento de R$ 445 milhões no Programa de Subvenção ao Seguro Rural também elevou a tensão. Pressionado, o Planalto recuou, mas sinaliza que ainda pretende mexer no modelo após negociações.
