Movimento ocorre de 23 a 25 de dezembro e já registra prisões por crimes como ameaças e agressões
A saída temporária de fim de ano para detentos do regime semiaberto em todo o estado de São Paulo beneficiou cerca de 32 mil presos, que devem retornar às unidades prisionais até o dia 5 de janeiro. A movimentação teve início na terça-feira (23) e segue até o dia 25 de dezembro.
A maior concentração de liberação foi registrada no Vale do Paraíba, especialmente em Tremembé, município que abriga presídios de grande porte.
No Centro de Progressão Penitenciária (CPP), mais de 2,3 mil detentos receberam o benefício. Já na Penitenciária II de Tremembé, conhecida como a “penitenciária dos famosos”, 116 presos deixaram a unidade, incluindo Lindenberg Alves, condenado pelo assassinato de Eloá Pimentel, em 2008.
Com o aumento do número de beneficiados circulando fora do sistema prisional, a Polícia Militar reforçou o policiamento em todo o estado. A operação especial seguirá até 6 de janeiro, com foco na prevenção de crimes durante o período da saída temporária.
Dados da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) indicam que o não retorno dos presos é uma preocupação constante.
Nas últimas saídas temporárias de 2025, mais de 3 mil detentos não se reapresentaram dentro do prazo e passaram a ser considerados foragidos.
Para ter direito ao benefício, o preso precisa apresentar bom comportamento e ter cumprido parte da pena, conforme a legislação.
Casos de violência doméstica
Nos dois primeiros dias da saída temporária, quatro beneficiários foram presos em flagrante por crimes no interior paulista, envolvendo violência doméstica, ameaças e tentativa de roubo.
Em Sumaré, um homem de 29 anos foi detido após ameaçar a companheira com uma faca e atingi-la com uma pedra durante uma discussão. Em Pirangi, um homem de 43 anos foi preso por ameaçar a companheira para obter dinheiro, e uma faca foi apreendida.
Em Nova Odessa, um preso que havia saído no mesmo dia foi detido após ameaçar a ex-companheira dentro do Hospital Municipal. Em Cândido Mota, outro beneficiário invadiu uma chácara, agrediu e ameaçou os moradores, resistindo à prisão até ser contido pela Polícia Militar.
Todos os suspeitos permanecem à disposição da Justiça e foram encaminhados às delegacias da Polícia Civil. As vítimas receberam orientações sobre medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
