Kremlin estabelece prazo para restringir softwares de países que aplicaram sanções a Moscou
O WhatsApp pode ser retirado do mercado russo, segundo parlamentares que integram o comitê de tecnologia da informação da Duma, a câmara baixa do Parlamento da Rússia. A medida deve beneficiar o aplicativo MAX, apoiado pelo governo e integrado aos serviços públicos do país.
A declaração foi feita na sexta-feira (18) por Anton Gorelkin, vice-chefe do comitê de TI da Duma. Em publicação no Telegram, o parlamentar afirmou: “É hora de o WhatsApp se preparar para deixar o mercado russo”. Gorelkin destacou ainda que a Meta, controladora do WhatsApp, é classificada como “organização extremista” na Rússia.
Em junho, Vladimir Putin sancionou uma lei que autoriza o desenvolvimento de um mensageiro estatal. O objetivo é reduzir a dependência de plataformas internacionais como WhatsApp e Telegram, que foi fundado pelos irmãos Nikolai e Pavel Durov, que são russos. No entanto, a empresa está registrada em Dubai, Emirados Árabes Unidos, onde está sua sede atualmente.
De acordo com a agência TASS, Anton Nemkin, também membro do comitê de TI do Parlamento, declarou que a permanência do WhatsApp representa “uma violação legal da segurança nacional”.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que todos os serviços devem cumprir a legislação russa.
Desde o início da guerra com a Ucrânia, em 2022, a Rússia vem intensificando sua política de “soberania digital”, promovendo alternativas locais às plataformas estrangeiras. Facebook e Instagram, também da Meta, já foram proibidos no país.
Nesta semana, o Kremlin divulgou uma lista de diretrizes assinadas por Putin, entre elas a ordem para aplicar restrições adicionais ao uso de softwares produzidos por países que impuseram sanções à Rússia. O prazo estipulado para a implementação das medidas é 1º de setembro.
Gorelkin indicou que o WhatsApp deve ser incluído entre os serviços de comunicação a serem restringidos. Atualmente, o aplicativo é usado diariamente por cerca de 68% dos russos, segundo dados citados pelo parlamentar.
