Governo expulsa do país possível espião russo
Brasília, Quinta, 09 de julho de 2026
Brasil

Governo expulsa do país possível espião russo

Decisão do Ministério da Justiça atinge Sergey Cherkasov, preso desde 2022 após usar identidade falsa e tentar ingressar na Holanda com documentos brasileiros

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou a expulsão do cidadão russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, preso em Brasília desde 2022 e investigado por atuar como agente de inteligência da Rússia. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira e impede seu retorno ao Brasil pelos próximos 30 anos, contados a partir da saída efetiva do país.

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Segundo as investigações, Cherkasov viveu no Brasil por pelo menos 15 anos utilizando a identidade falsa de Victor Muller Ferreira. O objetivo seria obter cidadania portuguesa e, posteriormente, circular como cidadão europeu para facilitar operações de espionagem.

O russo foi detido em março de 2022, depois de tentar entrar na Holanda com passaporte brasileiro e outros documentos falsificados. Na ocasião, ele havia sido aceito para um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia, mas autoridades holandesas e norte-americanas identificaram a fraude.

Após ser deportado ao Brasil, foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Dois meses depois, começou a cumprir pena de 15 anos de prisão e passou a responder por investigações relacionadas a espionagem, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e uso de documento falso.

Pedido de extradição

Cherkasov solicitou à Justiça brasileira sua extradição para a Rússia. O governo russo sustentou que ele integrava uma organização ligada ao tráfico internacional de drogas e pediu que o investigado fosse enviado ao país para responder ao processo.

O Supremo Tribunal Federal autorizou a extradição, mas condicionou a medida à conclusão de um inquérito conduzido pela Polícia Federal em São Paulo.

Em dezembro de 2024, o ministro Edson Fachin negou o pedido ao considerar que ainda havia pendências criminais em andamento no Brasil.

Disfarce foi construído durante anos

As investigações apontam que Cherkasov criou uma identidade fictícia detalhada para sustentar sua permanência no país.

Documentos apreendidos pela Polícia Federal mostraram um roteiro com informações que deveriam tornar a história verossímil. Entre elas, a alegação de que teria perdido a mãe durante o parto, a suposta ascendência alemã para justificar o sotaque e a narrativa de que nasceu em Niterói (RJ), mas viveu em diferentes cidades brasileiras, incluindo Brasília.

O registro oficial de entrada do russo no Brasil é de 2010.

Ainda segundo a investigação, ele utilizou a identidade falsa para estudar na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e buscou oportunidades de estágio em órgãos governamentais e organismos internacionais antes de ser descoberto.

Esconderijo em Cotia

Durante a investigação, a Polícia Federal localizou um esconderijo utilizado por Cherkasov em Cotia, na Grande São Paulo.

O local foi identificado a partir de informações extraídas do celular apreendido no momento da prisão, em Guarulhos. Conforme a investigação, o espaço funcionava como ponto de apoio para a rede de espionagem, onde equipamentos e mensagens poderiam ser deixados para posterior coleta por outros integrantes da organização.

Os dispositivos encontrados no imóvel foram encaminhados pela Polícia Federal ao FBI para análise.

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