O INSS recebeu mais de 1 milhão de solicitações de reembolso por parte de segurados que foram alvo de descontos não autorizados realizados por entidades associativas. O volume foi registrado apenas até o segundo dia de funcionamento do novo sistema de contestação criado pelo governo federal.
De acordo com balanço divulgado até as 17h desta quinta-feira, 15, cerca de 1,05 milhão de beneficiários contestaram os descontos por meio da plataforma Meu INSS ou pelo telefone 135. Outros 17,9 mil usuários confirmaram que deram aval às cobranças, como exigido pelo novo procedimento.
Desde a última terça-feira, 13, cerca de 9 milhões de aposentados e pensionistas começaram a ser notificados para verificar se sofreram descontos indevidos. A nova ferramenta permite a visualização dos valores cobrados por 41 entidades e dá ao segurado a opção de confirmar ou contestar as autorizações.
As denúncias revelam um possível esquema de fraudes que já está sendo investigado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Estima-se que aproximadamente R$ 6,3 bilhões tenham sido desviados entre 2019 e 2024 por meio de descontos irregulares nas aposentadorias e pensões.
O governo ainda terá que separar os valores que foram efetivamente autorizados dos que foram descontados de forma ilegal ao longo desses anos.
Para entidades que representam aposentados, a criação da plataforma de contestação é uma medida tardia diante de um problema que já causava prejuízos mensais há anos. Muitos segurados que recebem apenas um salário mínimo relatam que os descontos afetaram diretamente a alimentação, a compra de medicamentos e o sustento da família.
