O senador Marcio Bittar (União-AC) apresentou requerimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado solicitando uma audiência pública para debater a grave crise financeira enfrentada pelos Correios. A iniciativa ocorre após a divulgação do resultado primário de 2024, em que a estatal registrou um prejuízo de R$ 3,2 bilhões, o pior da sua história e responsável por 40% do déficit total das empresas estatais brasileiras no período.
Bittar quer que a audiência reúna autoridades ligadas à atual e antigas gestões da empresa, incluindo o atual presidente Fabiano Silva dos Santos e o general Floriano Peixoto, que ocupou o cargo no governo anterior.
O senador alerta para a responsabilidade do Congresso diante do impacto fiscal do prejuízo dos Correios, que representou sozinho 6,7% de todo o rombo do setor público em 2024.
A situação, classificada como “caótica”, inclui ainda denúncias de “pirataria” nos serviços postais, em que empresas terceirizadas operam irregularmente com a marca da estatal e oferecem preços bem abaixo dos praticados oficialmente.
Apesar da crise, a gestão de Fabiano dos Santos decidiu ampliar de forma agressiva os gastos com publicidade e patrocínios. Em 2024, os investimentos saltaram para R$ 380 milhões com agências publicitárias e R$ 34 milhões em patrocínios, incluindo eventos como o Lollapalooza e shows de Gilberto Gil. O valor contrasta com a média anual de R$ 430 mil nos anos anteriores.
Para completar o cenário de descontrole financeiro, a estatal ainda autorizou o pagamento de R$ 200 milhões em “vale-peru” para 84.700 funcionários, mesmo diante do maior prejuízo já registrado. A medida, segundo Bittar, “evidencia o total descaso da atual gestão com o patrimônio público”.
Além do impacto fiscal, os reflexos já são sentidos na operação da empresa. Mais de 200 unidades dos Correios enfrentam risco de despejo por dívidas de aluguel, IPTU e condomínio, totalizando R$ 9,5 milhões. A crise já provoca suspensão de serviços em cidades como Chapecó.
Segundo Bittar, há provas suficientes para mostrar a atual má gestão da estatal.
“Não faltam elementos que indiquem má gestão na companhia que contribuíram para o prejuízo bilionário da instituição no ano passado”, afirmou Bittar.
