Correios gastam R$ 38 milhões em patrocínios em meio à crise financeira - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Correios gastam R$ 38 milhões em patrocínios em meio à crise financeira

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Por Isac Mascarenhas

Apesar de enfrentar uma crise financeira, os Correios investiram R$ 38,4 milhões em patrocínios durante o terceiro governo Lula. Os maiores investimentos foram de R$ 6 milhões para o festival Lollapalooza e R$ 4 milhões para uma turnês de Gilberto Gil, ex ministro da Cultura no primeiro mandato de Lula.

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Em 2023, a estatal também gastou R$ 3,3 milhões em eventos como o Festival de Parintins (R$ 400 mil), a Orquestra Criança Cidadã, em Pernambuco (R$ 500 mil), e o Festival CoMA, em Brasília (R$ 350 mil).

Os gastos cresceram em 2024, alcançando R$ 33,8 milhões. Além do Lollapalooza e da turnê de Gil, a empresa aportou R$ 4,5 milhões na Confederação Brasileira de Ginástica, R$ 3 milhões nos jogos universitários e R$ 2 milhões na feira de design Casa Brasil.

Outros contratos incluem R$ 1,9 milhão para o Funn Festival, em Brasília, e R$ 1 milhão para o São João do Maranhão.

Em 2025, até o momento, a estatal repassou R$ 1,3 milhão ao Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas, com a presença do presidente Lula.

Os Correios justificam os patrocínios como parte de planos anuais de comunicação para posicionar a marca como “competitiva e sustentável”. De acordo com a Veja, a empresa alega que o Lollapalooza atrai o público jovem e fortalece a imagem de inovação, enquanto a turnê de Gil, agrega valor à marca.

O Lollapalooza Brasil enfrentou denúncias de trabalho análogo à escravidão em duas edições: em 2019, pessoas em situação de rua receberam R$ 50 por dia para montar e desmontar estruturas em jornadas de 12 horas, conforme revelou a Folha de S.Paulo; já em 2023, a Superintendência Regional do Trabalho resgatou cinco trabalhadores explorados pela terceirizada Yellow Stripe, que pagava R$ 50 diários por 12 horas de serviço braçal, sem condições adequadas. O caso que resultou na rescisão de contratos e investigação do Ministério Público do Trabalho contra a organizadora Time 4 Fun (T4F).

Sob o comando de Fabiano Silva dos Santos, ligado ao Grupo Prerrogativas e indicado pelo Ministério das Comunicações, os Correios enfrentam um déficit de R$ 3,2 bilhões em 2024 e um rombo de R$ 400 milhões na Postal Saúde, que deixou de receber repasses desde novembro, levando hospitais a suspenderem o atendimento a funcionários.

A gestão atual, cujo mandato vai até 6 de agosto de 2025, afirma que os patrocínios buscam reposicionar a marca após o governo Bolsonaro zerar investimentos na área, como parte de um plano de privatização revertido por Lula.

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