A Polícia Federal (PF) informou nesta tarde (11) que 14 pessoas já foram presas em 3 dias na Operação Anomalia, que investiga a atuação de policiais, traficantes, milicianos e operadores financeiros ligados ao Comando Vermelho (CV).
As ações foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Segundo a PF, a operação busca desarticular núcleos da facção formados por agentes públicos que atuavam para favorecer o tráfico de drogas e milícias no Rio.
A ofensiva integra a força-tarefa Missão Redentor II, realizada no contexto da ADPF das Favelas, sob relatoria de Moraes, que estabelece regras e limites para operações policiais em comunidades do RJ.
Além dos 14 mandados de prisão preventiva, já foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão na capital e em cidades da Região Metropolitana.
Entre os alvos estão o delegado da PF Fabrizio Romano, o delegado da Polícia Civil Marcus Henrique de Oliveira Alves, os policiais civis Franklin José de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus e o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena, da gestão de Cláudio Castro. Eles são suspeitos de vender influência política ao crime organizado.
Sete policiais militares também foram presos. Eles poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de capitais. São eles: Alex Pereira do Nascimento, Ênio Claudio Amâncio Duarte, Flávio Cosme Menezes Pereira, Franklin Ormond de Andrade, Leonardo Cavalcanti Marques, Ricardo Pereira da Silva e Rodrigo Oliveira de Carvalho.
Um dos investigados está foragido no exterior, e a PF informou que estão em andamento medidas para inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol.
Durante as diligências, os agentes apreenderam armas e acessórios, munições, cerca de R$ 50 mil em espécie, celulares, dispositivos eletrônicos, um veículo e documentos.
Moraes também determinou bloqueio de bens, suspensão de atividades empresariais e afastamento imediato dos servidores públicos investigados.
A PF informou que cada etapa da Anomalia teve como alvo um núcleo específico da organização criminosa:
1ª fase – 9 de março: As ações miraram um grupo suspeito de negociar vantagens indevidas em troca de informações e influência para beneficiar um traficante internacional. Foram cumpridos quatro mandados de prisão e três de busca no Rio.
2ª fase – 10 de março: A investigação avançou sobre um núcleo formado por policiais civis e operadores financeiros que, segundo a PF, utilizavam a estrutura estatal para extorquir integrantes de facções criminosas, além de praticar corrupção e lavagem de capitais. Foram cumpridos quatro mandados de prisão e três de busca, além do bloqueio de contas bancárias e criptoativos.
Policiais presos nessa fase teriam cobrado R$ 1,5 milhão de um chefe do CV para encerrar investigações, segundo despacho de Moraes.
3ª fase – 11 de março: Essa etapa, que aconteceu hoje, teve como alvo PMs cooptados pelo crime organizado para facilitar a logística de traficantes e milicianos, proteger criminosos e ocultar recursos ilícitos. Com apoio da Corregedoria da PM, foram cumpridos 7 mandados de prisão e 7 de busca no Rio, em Nova Iguaçu e Nilópolis.
De acordo com a PF, os investigados poderão responder por organização criminosa, corrupção, lavagem de capitais e outros crimes. O material apreendido passará por perícia para aprofundar as investigações e identificar outros envolvidos.
