Rio: ONG usou R$ 1,2 milhão de verba pública para pagar pessoa morta - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Rio: ONG usou R$ 1,2 milhão de verba pública para pagar pessoa morta

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

A ONG Con-tato, sob investigação por suspeita de desvios de recursos de emendas parlamentares, utilizou ao menos R$ 1,17 milhão de verbas do governo do estado do Rio de Janeiro entre 2023 e 2024 para custear eventos cuja realização não possui comprovação. Desse montante, mais de um terço, o equivalente a R$ 436 mil, foi pago a uma empresa registrada em nome de uma pessoa morta.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Um levantamento feito pelo UOL, baseado na análise de 31 processos de prestação de contas mensais da ONG, revela uma falta de provas mínimas, como registros, fotos, relatórios ou listas de presença, que confirmem a efetiva realização dos eventos pagos com dinheiro público.

Entre as irregularidades, R$ 436 mil foram destinados à DHB Empreendimentos Empresariais para atividades da Semana do Meio Ambiente e cerimônias de encerramento de núcleos, sem que nenhuma dessas ações conste nos relatórios da ONG. A DHB, à época dos pagamentos em junho de 2024, estava registrada em nome de Edson Diniz Ângelo, que faleceu em novembro de 2023.

A transferência de propriedade da empresa só aconteceu em julho de 2024, sete meses após sua morte, baseada em um documento com data retroativa de setembro de 2023. A própria Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade, responsável pelo repasse, admite que a ONG não apresentou provas do serviço e cobra explicações há quase um ano sem sucesso.

Outra empresa, a JHD Empreendimentos Empresariais, recebeu R$ 481 mil entre maio e junho de 2024 por serviços de apoio operacional em formaturas que também não tiveram detalhamento ou comprovação. Essa empresa compartilha o telefone, hoje inativo, com a DHB e, na época dos pagamentos, estava em nome de Juacy Mendes da Silva Filho, ex-sócio da DHB

Ex-alunos relataram que as formaturas prometidas nunca ocorreram. A JHD também recebeu da Con-tato mais R$ 980 mil entre janeiro e junho de 2024 para diversos serviços, que também são questionados pela Secretaria de Ambiente.

Uma cerimônia de formatura de alunos do programa Ambiente Jovem, realizada em janeiro de 2023, foi paga duas vezes. Primeiramente, R$ 250 mil foram pagos à ArtPlural Produções e Eventos por uma cerimônia que, segundo apuração, não aconteceu em outubro de 2022. Em seguida, um novo pagamento de R$ 368 mil foi feito à WAX Serviços Especializados para a mesma formatura.

As prestações de contas da Con-tato não registram o serviço da ArtPlural na data original. A WAX é suspeita de superfaturar serviços, tendo declarado 1.500 lanches a R$ 55 cada, valor até três vezes maior que o de mercado, enquanto os alunos receberam um kit mais simples.

Edson Diniz Ângelo, o falecido proprietário da DHB, também foi funcionário da Con-tato em 2019 e integrou em 2018 o conselho de administração de outra ONG sob suspeita de desvios, o ICA (Instituto Carioca de Atividades). Desde 2022, a ONG Con-tato já recebeu R$ 166,7 milhões do governo do estado do Rio, por meio de diversos contratos, sendo R$ 93,5 milhões apenas para o programa Ambiente Jovem.

Com o encerramento do contrato do Ambiente Jovem, a Secretaria de Ambiente abriu um novo edital. A ONG Viva Rio ficou em primeiro lugar na seleção, mas a própria Con-tato, que ficou em segundo, recorreu do resultado.

A Con-tato, a DHB, a JHD, a ArtPlural, a WAX e Thiago Pampolha, ex-secretário de Ambiente não se manifestaram.

Leia também:

Farra: ONGs desconhecidas recebem R$ 274 milhões em emendas – Claudio Dantas

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade