"Resgate espetacular": opositores venezuelanos agradecem EUA e criticam Brasil - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

“Resgate espetacular”: opositores venezuelanos agradecem EUA e criticam Brasil

Reprodução

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Por Claudio Dantas

Sobreviventes do regime ditatorial de Nicolás Maduro, os opositores venezuelanos Magalli Meda, Pedro Urruchurtu, Claudia Macero, Humberto Villalobos e Omar González agradeceram ontem à Argentina pela proteção em sua embaixada e aos EUA pela operação de resgate que lhes permitiu driblar o cerco das forças policiais e deixar o país.

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“Foi um dos resgates mais espetaculares da história”, disse González, durante coletiva em Washington. Ele e seus companheiros se refugiaram na embaixada em março de 2024, durante a onda de prisões políticas decretadas por Maduro antes das eleições presidenciais de 28 de julho. No começo, eram seis. Mas, em dezembro de 2024, Fernando Mottola se entregou. Dois meses depois, morreu na prisão.

Colaboradores da líder de oposição María Corina Machado, os asilados nunca receberam o aguardado salvo conduto que pediam para deixar o país. Conseguiram sair da embaixada, semanas atrás, graças ao que o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, chamou de “operação precisa”.

“Eles pensavam que nos renderíamos, por isso precisavam nos eliminar fisicamente, e temos elementos concretos, temos a certeza de que aconteceria algo”, comentou González. Urruchurtu, por sua vez, negou “categoricamente” que a operação tenha sido fruto “de uma negociação com Caracas”, como chegou a dizer Maduro, para não admitir a derrota.

Magalli Meda descreveu a fuga como “um milagre” após 412 dias reclusos. “Fechem os olhos onde estiverem e imaginem ficar trancados por um ano e dois meses. Cinco meses sem acender um interruptor, cinco meses sem abrir uma torneira que saísse água”, relatou. “Somos uma amostra absolutamente clara de que a liberdade é possível”, emendou.

CRÍTICAS AO BRASIL DE LULA

O grupo não poupou críticas ao que chamaram de “diplomacia convencional” adotada por Brasil, México e Colômbia, e que “no final fracassou”. Para eles, esses governos “não têm respostas contra um regime autoritário e criminoso”.

Segundo González, é preciso aumentar a pressão internacional para derrubar Maduro, inclusive com sanções e suspensão de investimentos, como no caso da Chevron americana. A licença da petroleira expira na semana que vem e Rubio antecipou que não será prolongada.

Eles criticaram também o Tribunal Penal Internacional, que, em 2018, abriu um processo por supostos crimes de lesa humanidade na Venezuela e até hoje não emitiram uma ordem internacional de prisão contra Maduro. “Até quando vão esperar”, questionou.

MAIS PRISÕES

Dias atrás, Maduro anunciou a prisão de mais de 50 pessoas que, segundo ele, planejavam realizar ataques durante as eleições legislativas e de governadores que serão realizadas neste domingo 25.

O anúncio foi feito durante cerimônia de encerramento da campanha do seu partido. Segundo ele, os detidos pretendiam “plantar bombas ou lançar ataques violentos” durante o pleito.

Um dos presos é o opositor Juan Pablo Guanipa, um dos principais aliados da líder venezuelana María Corina Machado, acusado de ‘terrorismo’. No anúncio, o ministro e narcotraficante Diosdado Cabello mostrou imagens de Guanipa sendo algemado e levado por integrantes da Polícia Nacional Bolivariana fortemente armados.

Um vídeo e um texto preparados previamente para o caso de prisão foram publicados nas redes sociais de Guanipa, que estava escondido desde o ano passado. “A partir de hoje, eu sou parte da lista de venezuelanos sequestrados pela ditadura. Por meses, eu, como vários venezuelanos, estou na clandestinidade para manter minha segurança. Infelizmente, meu tempo de resguardo chegou ao seu fim”, escreveu.

O ditador, que fraudou as últimas eleições presidenciais, agora submete o país a mais um teatro eleitoral. Até agora, o governo Lula permanece calado.

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