Receita usa megaoperação para pressionar Congresso por lei contra sonegadores Receita Federal aproveita repercussão da Operação Carbono Oculto para pressionar o Congresso a aprovar projeto contra devedores contumazes.
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Receita usa megaoperação para pressionar Congresso por lei contra sonegadores

"Beto Louco" e "Primo" chefiavam esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis

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Por Redação

Projeto prevê atingir mil contribuintes com dívidas de R$ 200 bilhões

A Receita Federal aproveitou a repercussão da Operação Carbono Oculto, deflagrada na quinta-feira (28), para reforçar no Congresso a necessidade de aprovar medidas contra devedores contumazes. A operação desarticulou um esquema bilionário no setor de combustíveis comandado por núcleos do PCC e mostrou como empresas de fachada e sonegadores sustentam o crime organizado.

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Em entrevista coletiva, o auditor fiscal Cláudio Ferrer de Souza destacou que o modelo de fraudes tributárias é repetido há anos e movimenta cifras milionárias.

“O grande problema é que nas empresas de fachada, devedores contumazes não pagavam nada (de impostos). Para vocês terem uma ideia, é um casal de criminosos envolvido nessa operação há mais de 8 anos. Não entregavam declaração do imposto de renda pessoa física. E esse casal, nos últimos dois anos, gastou mais de R$ 7 milhões de reais em notas que foram pagas pela fintech”, afirmou.

No Congresso, o governo tenta acelerar a tramitação de um Projeto de Lei que cria mecanismos específicos para enquadrar devedores contumazes.

A proposta da Fazenda estima atingir cerca de mil contribuintes com dívidas superiores a R$ 200 bilhões, uma fatia pequena diante dos mais de 20 milhões de CNPJs ativos, mas que responde por fraudes estruturadas e recorrentes.

A estratégia da equipe econômica é usar a Carbono Oculto como exemplo prático para pressionar deputados e senadores. Segundo técnicos da Receita, a ausência de instrumentos legais específicos para lidar com sonegadores profissionais fragiliza o combate a esquemas complexos como o do setor de combustíveis, que entre 2020 e 2024 movimentou R$ 52 bilhões.

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