Ação nacional apreende drogas, armas e R$160 milhões em produtos ilegais
A Receita Federal divulgou nesta quinta-feira (31) o balanço de uma das maiores operações integradas contra o crime organizado já realizadas no país.
A ação mobilizou mais de 1.500 agentes públicos, entre auditores, policiais e militares, em 20 estados, com resultados expressivos: 3,5 toneladas de drogas, 215 mil litros de bebidas clandestinas, 27 prisões em flagrante e R$ 160 milhões em mercadorias ilegais apreendidas.
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, afirmou que o trabalho representa “a união do Estado brasileiro contra o poder financeiro das facções criminosas”, e que o foco agora é atingir “o bolso de quem lucra com a desordem”.
“Nós frustramos o roubo de mil pistolas, interceptamos aeronaves e veículos usados por organizações criminosas e mostramos que o combate ao crime pode ser feito com inteligência, sem precisar disparar um único tiro”, afirmou Barreirinhas.
“A diferença é que agora há vontade política para agir. Por muito tempo, o Estado fingiu que não via o avanço das facções”, completou.
União das forças e mudança de postura
A operação foi conduzida pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, Exército, Polícia Rodoviária Federal e secretarias estaduais de Fazenda e Segurança Pública.
Durante meses, os órgãos atuaram de forma integrada para mapear rotas do contrabando, identificar depósitos de mercadorias ilegais e rastrear o caminho do dinheiro sujo.
“É um novo modelo de atuação, baseado em inteligência e cooperação. O Brasil precisa voltar a ter fronteiras de verdade”, disse o coordenador-geral de Repressão, Raphael Eugênio de Souza, em tom crítico ao abandono histórico da fiscalização nas fronteiras.
Segundo ele, o crime organizado se fortaleceu nas últimas décadas “graças à omissão e ao discurso ideológico que sempre tratou criminoso como vítima e desacreditou a ação policial”.
O eixo da operação foi o controle dos 16 mil quilômetros de fronteira terrestre, por onde passam drogas, armas e produtos contrabandeados.
Com o uso de drones, helicópteros e imagens de satélite, foram localizadas rotas clandestinas e interceptados comboios inteiros de veículos usados por facções.
“No Arco do Sul, interceptamos 25 veículos transportando duas toneladas de maconha. É um trabalho silencioso, mas que evita que o crime chegue às cidades”, explicou Raphael.
A estratégia, segundo ele, é asfixiar o crime na origem, impedir que as armas, drogas e produtos ilegais sequer entrem no território nacional.
“Quando o Estado é forte na fronteira, o crime perde fôlego no resto do país”, afirmou.
Além das apreensões, a Receita anunciou um plano de rastreamento de fundos e criptoativos usados para lavar dinheiro das facções.
Os gestores financeiros serão obrigados a identificar os beneficiários finais, fechando brechas exploradas por laranjas e empresas de fachada.
“Estamos apertando o cerco. Quem movimenta dinheiro de facção vai ser identificado e responsabilizado. O tempo da impunidade acabou”, declarou Barreirinhas.
