Família e aliados teriam cobrado até R$ 500 mil por aprovação em cargos públicos
A Polícia Federal investiga um esquema de fraudes em concursos públicos envolvendo uma família de Patos, cidade localizada na Paraíba. A operação começou após a aprovação suspeita de três parentes no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024. O grupo pedia até R$ 500 mil para garantir a aprovação.
Provas antecipadas, uso de ponto eletrônico e documentos falsificados foram usados para permitir que terceiros realizassem as provas. Três pessoas foram presas durante a Operação Última Fase.
O ex-policial Wanderlan Limeira de Sousa é apontado como líder do esquema. Ele, o irmão e a sobrinha foram aprovados para o cargo de auditor fiscal do trabalho, com salário acima de R$ 20 mil. Seis outros candidatos também são investigados por respostas idênticas.

Funcionamento e suspeitos do esquema
Larissa Neves, sobrinha de Wanderlan, realizou a prova em Patos, mesmo morando em São Paulo. Conversas interceptadas revelam o pagamento de R$ 500 mil, financiado por venda de bens. Ela recebeu as respostas horas antes do exame e teve apoio para a redação.
Luiz Paulo Silva dos Santos é suspeito de fraude em mais de 60 concursos. Ele e Wanderlan fizeram o CNU para provar a eficácia do esquema, porém não participaram da formação exigida.
Thyago José Andrade atuava na parte operacional. Mensagens mostram pedido para garantir a aprovação da filha de Antônio Limeira, com métodos irregulares durante o curso.
Outro investigado, Ariosvaldo Lucena de Sousa Júnior, policial militar e empresário em Patos, seria intermediário na venda de gabaritos, sem provas diretas contra ele.
Mandados de busca, apreensões e afastamentos foram autorizados pela Justiça e cumpridos na Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
O esquema teria também fraudado concursos da Caixa, Polícias Civis, Universidade Federal da Paraíba, Banco do Brasil e exame da OAB. Os envolvidos responderão por fraudes, falsificação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O Ministério da Gestão está colaborando com as investigações e aguarda novos passos para medidas administrativas.
