O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou hoje (15), em entrevista ao Flow Podcast, que as restrições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro têm como objetivo dificultar a atuação da defesa e o contato da família com o ex-chefe do Executivo. Segundo ele, as medidas fazem parte de uma sequência de decisões que, em sua avaliação, representam perseguição política contra o ex-presidente e seus familiares.
Flávio declarou que a perseguição começou ainda no início do governo Bolsonaro, após a eleição de 2018. Segundo o senador, o então candidato chegou à Presidência sem tempo relevante de televisão e com poucos recursos financeiros, impulsionado pelo alcance das redes sociais.
Ao comentar decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio citou o veto à nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal, em 2020. Na avaliação do senador, aquele episódio marcou o início de uma série de interferências no governo de Jair Bolsonaro.
“O presidente Bolsonaro foi eleito sem tempo de televisão e com poucos recursos. Desde o início do governo começaram decisões que, na nossa visão, interferiram diretamente na atuação do Executivo”, afirmou.
Críticas às restrições de visitas
Durante a entrevista, Flávio concentrou as críticas nas regras de visita impostas ao ex-presidente. Segundo ele, apenas os filhos podem visitá-lo às quartas-feiras e aos sábados, por duas horas, enquanto os advogados têm autorização para encontros de até 30 minutos por dia, de segunda a sexta-feira.
O senador afirmou que também atua como advogado de Jair Bolsonaro e disse participar da elaboração da estratégia jurídica da defesa. De acordo com ele, as regras foram alteradas após sua habilitação no processo.
“Sou advogado constituído nos autos e participo da estratégia da defesa. Depois que me habilitei, as regras mudaram e passaram a restringir o contato com os advogados”, declarou.
Flávio também afirmou que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apresentou um pedido para que as limitações fossem reavaliadas.
Comparação e críticas à decisão
Na entrevista, o senador classificou como “desumana” a proibição de visitas e comparou a situação do ex-presidente à de outros presos.
“Se o Oruam quiser visitar o Marcinho VP, que é pai dele, ele pode. Já o presidente Bolsonaro, que é inocente, enfrenta essa restrição”, disse.
Flávio também afirmou que a vedação ao contato por 90 dias coincidiria com o período eleitoral e alegou que a medida teria impacto político.
Segundo o senador, as restrições buscam dificultar o trabalho da defesa e limitar a atuação de Jair Bolsonaro durante o processo eleitoral.
Camisa com mensagem
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro usou uma camiseta com a frase: “Tentaram nos enterrar e esqueceram que nós somos sementes.”
Ao comentar a mensagem, o senador afirmou que, na sua avaliação, Jair Bolsonaro representa um movimento político que continuará ativo independentemente das decisões judiciais.
“O presidente Bolsonaro plantou uma semente, uma ideia e um movimento. Não será isso que vai impedir que esse projeto continue avançando”, afirmou.