Quer se formar em terapia da família? Nesta universidade jesuíta, só vendo pornô sadomasoquista - Claudio Dantas
Brasília, Segunda, 20 de julho de 2026
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Quer se formar em terapia da família? Nesta universidade jesuíta, só vendo pornô sadomasoquista

Naomi Epps Best no vídeo que publicou em 12 de junho de 2025 nas redes sociais. Reprodução/X
Naomi Epps Best no vídeo que publicou em 12 de junho de 2025 nas redes sociais. Reprodução/X

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

No papel, a Universidade de Santa Clara (SCU), na Califórnia, é uma instituição jesuíta desde que foi fundada em 1851. O estatuto da universidade, que é privada, estabelece que ao menos o presidente de seu conselho diretor tem que ser membro da Companhia de Jesus.

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Quando a estudante Naomi Epps Best, recém-casada, com 26 anos e mãe de uma menina, se matriculou no curso de terapia de casal e da família da SCU, ela viu tudo, menos Jesus.

Em uma denúncia publicada no último dia 6 no jornal The Wall Street Journal, Best conta que precisou sair de uma aula do professor Chongzheng Wei em uma disciplina obrigatória, “Sexualidade Humana”.

O motivo é que Wei exibiu para a turma o vídeo de uma influenciadora praticando o sadomasoquismo. Quando terminou, ele perguntou aos alunos se eles queriam experimentar. “Talvez tenha sido uma piada fora de lugar para quebrar o gelo”, concede a aluna, “mas eu não queria ficar para descobrir se uma demonstração ao vivo aconteceria”.

Até aqui, alguém poderia alegar que é só um caso de uma aluna pudica demais. Mas tem mais coisa.

Um dos deveres de casa dados por Wei foi que os alunos escrevessem uma “autobiografia sexual detalhada” que poderia incluir memórias sexuais precoces, masturbação, experiências recentes e metas futuras com um plano de ação. Isso, repito, numa universidade jesuíta.

O professor pediu que os alunos subissem suas autobiografias eróticas para um serviço online externo à universidade, onde ele daria as notas.

A aluna, declarando objeção de consciência por razões éticas e religiosas, pediu um dever de casa alternativo. A chefe do departamento, Cary Watson, recusou o pedido, segundo Best, sugerindo que a aluna desistisse de obter a licença de terapeuta familiar.

A universitária diz que recorreu a cinco autoridades superiores a Watson, incluindo o reitor e o capelão. “Não tenho certeza de quem estava mais chocado, o padre ao ler a ementa da disciplina ou eu, compartilhando minha tela com vídeos e imagens sexualmente explícitos com ele”, disse Best.

Watson informou à aluna que havia uma exceção para “alunas muçulmanas”: terminar a disciplina remotamente. Em vez disso, o professor Wei marcou uma reunião via Zoom. Ele prometeu a Best que as confissões sexuais não seriam obrigatórias.

Mas as aulas continuavam passando dos limites, na opinião de Best. Wei tocou na aula músicas sexualmente explícitas contendo xingamentos raciais. Uma palestrante trans convidada disse em aula que “somente mulheres trans têm um pênis que pode explodir o mundo” e disse aos alunos que sentia excitação sexual ao se olhar no espelho. Outro exercício na disciplina foi que os alunos escrevessem algo que não gostavam sobre suas genitálias ou seios, para que algum colega lesse em voz alta para todos.

Mais uma vez, a aluna pediu para receber o privilégio concedido às alunas muçulmanas. O pedido foi negado — numa universidade jesuíta, não é demais repetir. Dessa vez, a recomendação de Watson foi que Best largasse a disciplina. Quando a aluna pediu reembolso das aulas, a chefe do departamento chamou o pedido de “espantoso”.

Temos só a versão de Best dos acontecimentos, mas é digno de nota que o professor Wei e a chefe Watson se recusaram a responder quando contatados pelo Wall Street Journal.

Naomi Best explica que não é apenas uma questão de não gostar de ser submetida a ver pornografia sadomasoquista ou a falar de seu corpo ou de suas experiências sexuais: é também um problema intelectual.

A disciplina “revelou-se um estudo de caso do remodelamento do treinamento em terapia não pela ciência, mas pela teoria crítica, uma visão de mundo que filtra a experiência humana com pressupostos de esquerda acerca de poder, opressão e identidade, em especial no que se refere à raça, ‘gênero’ e sexualidade”.

É uma descrição muito precisa da “teoria” “crítica” — que não é teoria, nem crítica, parecida com a que ofereço em mais detalhes no meu livro sobre o identitarismo, Mais Iguais que Os Outros.

Antes de escancarar a situação no jornal, Best falou anonimamente a respeito na plataforma de blogs Substack. “Percebi que tropecei em algo maior”, disse ela. “A área inteira da educação em terapia foi esvaziada e preenchida por teoria crítica. Os terapeutas não são mais treinados para serem neutros, mas para serem agentes de mudança política. Ideias como modéstia e privacidade conjugal não são apenas tratadas como opcionais, quando não dispensadas. São vistas como normas opressivas a serem ativamente combatidas”.

Em um curso de “aconselhamento multicultural”, Best e outros alunos ouviram que “o pensamento objetivo, racional e linear”, a “recompensa diferida” (esperar para obter algo que se quer) e fazer um “plano para o futuro” são características da “cultura branca”. Isso vem de ativistas identitários que têm a pachorra de acusar os outros de racismo! Racistas são eles, que acham que não-brancos são incapazes de planejar sua vida e pensar objetivamente.

Até o momento, a Universidade de Santa Clara permaneceu em silêncio sobre a situação de Naomi Best. Ontem, ela publicou no X um vídeo em que disse que foi demitida de seu estágio uma semana depois de publicar a denúncia no jornal. “A área está em crise”, ela insiste, com semblante abatido, mas palavras corajosas. “O público precisa saber”.

Por que a esquerda adora o que é feio

Por que tanta sinalização escatológica e pornográfica parte da esquerda? A explicação está no conceito da oicofobia, proposto pelo filósofo Sir Roger Scruton: a aversão pelo próprio lar cultural.

Quando se tem uma mentalidade revolucionária, abandona-se a perspectiva de olhar para os problemas sociais como coisas a serem resolvidas com paciência, ao longo do tempo, fazendo reformas.

Compara-se a sociedade como ela é à utopia que só existe na cabeça do revolucionário, e só pode existir lá, na imaginação.

O resultado disso é que a sociedade em que o revolucionário vive é repulsiva para ele da fundação à última telha. Família tradicional? Conspiração para oprimir. Monogamia, decoro, não exibir o traseiro em público nem expor os próprios fetiches em sala de aula? Normas opressoras criadas pelas estruturas racistas, fóbicas e misóginas.

Não é à toa que estudos repetidamente encontram que conservadores são mais felizes que revolucionários. A obsessão de destruir as normas sociais acaba saindo pela culatra, danificando a saúde mental e a autoestima do próprio revolucionário.

As críticas a este artigo são muito previsíveis, porque revolucionários têm uma dieta intelectual muito limitada e repetitiva. Dirão que estou sendo um falso moralista, um carola que não tolera o sadomasoquismo ou a sexologia. É bem o contrário: por tolerar o sadomasoquismo, sei que é coisa privada, não pública.

E quem ataca a sexologia é o identitarismo, que passou a última década promovendo o bloqueio da puberdade de crianças disfóricas — aliás, outro tema promovido na lamentável disciplina a que Best foi submetida por não ser muçulmana em uma universidade jesuíta.

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