O jornalista e mestre em biologia molecular e genética Eli Vieira criticou nesta sexta-feira (5) a adoção de protocolos de gênero no Judiciário e afirmou que a distinção entre sexo e gênero foi introduzida por ativistas dentro do ambiente acadêmico.
Durante participação no programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube, Vieira declarou que o conceito atualmente utilizado em políticas públicas não corresponde à forma como o tema era tratado historicamente.
“Quando a gente vê ali no título, protocolo de gênero, a primeira coisa que eu questiono é gênero. Não existe gênero. Gênero era um termo da linguística para falar o que é substantivo masculino ou feminino. A palavra tem gênero. O ser humano tem sexo”, afirmou.
Segundo o jornalista, a separação entre sexo e gênero passou a ganhar espaço na produção acadêmica apenas nas últimas décadas.
“Quem inventou que sexo é diferente de gênero já foi o ativismo político dentro da universidade fantasiado de pesquisa. Até 1988, mesmo os ativistas utilizavam muito mais o termo sexo do que gênero”, declarou.
Crítica à substituição de termos ligados ao sexo
Ao comentar mudanças de linguagem em documentos e políticas públicas, Eli Vieira criticou iniciativas que substituem termos tradicionais por expressões consideradas neutras.
O jornalista citou o caso envolvendo Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, e mencionou declarações do pai da criança, Leniel Borel.
“Quem falou isso bem foi o Leniel Borel. Ele falou genitora. Ele falou mãe, mas pensou que o que ela fez desqualifica a Monique como mãe. Ela é uma mera genitora”, disse.
Para Vieira, o debate não deveria eliminar conceitos relacionados ao sexo biológico.
“Vamos desistir dos termos ligados ao sexo? O problema nunca foi ser mãe, ser pai, ser um homem típico ou uma mulher típica. O problema sempre foi tratar pessoas como parte de um rebanho e não como indivíduos”, afirmou.
Cláudio Dantas cita resolução do CNJ
Durante o programa, Cláudio Dantas também criticou diretrizes adotadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para julgamentos com perspectiva de gênero.
O apresentador divulgou uma campanha em defesa do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 89/2023, que busca sustar os efeitos da Resolução 492/2023 do CNJ.
“Está na hora de ir além da indignação. Não dá mais para assistir militantes ideológicos travestidos de juízes a esculhambar a Justiça brasileira”, afirmou ao comentar publicação divulgada nas redes sociais.
Dantas argumentou que a resolução fornece instrumentos para decisões judiciais baseadas em perspectivas ideológicas e pediu mobilização popular em apoio ao projeto.
“Pressionem seus representantes no Congresso a votar o PDL 89 de 2023″, declarou.
A cientista política Júlia Lucy também participou da discussão e fez críticas às políticas de cotas voltadas para pessoas trans em universidades.
Segundo ela, a principal diferença em relação a outras modalidades de cotas está na autodeclaração.
“No caso da cota trans, basta a autodeclaração. A pessoa diz que é trans e passa a ter acesso ao benefício”, afirmou.
Lucy também relacionou o tema a debates mais amplos sobre identidade de gênero e educação.
“Tem gente que diz que essa é uma discussão menor. Não é. Isso é apenas um ponto de algo muito maior que vem sendo trabalhado há anos”, declarou.
A cientista política ainda citou o cancelamento de eventos ligados ao movimento trans por falta de patrocinadores e atribuiu a situação à reação de consumidores contra empresas que apoiam pautas identitárias.
Agenda 2030 e liberdade de expressão
O analista econômico Ary Alcântara afirmou que a Agenda 2030 tem influência sobre decisões institucionais e manifestou preocupação com possíveis restrições ao debate público.
“O Supremo tem uma portaria dando prioridade à Agenda 2030”, declarou.
Segundo ele, propostas ligadas ao tema podem resultar em limitações à circulação de opiniões divergentes.
“Existe uma proposta de censura exatamente às opiniões controversas sobre essa questão da Agenda 2030”, afirmou.
As declarações foram feitas durante debate sobre identidade de gênero, políticas públicas, atuação do Judiciário e liberdade de expressão promovido no programa Alive, transmitido ao vivo pelo canal de Cláudio Dantas no YouTube nesta sexta-feira.
