Quem não lacra, lucra: jornalista que apostou contra o woke deve vender veículo por até US$ 200 milhões - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 15 de julho de 2026
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Quem não lacra, lucra: jornalista que apostou contra o woke deve vender veículo por até US$ 200 milhões

Bari Weiss, jornalista americana. Foto: Reprodução/X
Bari Weiss, jornalista americana. Foto: Reprodução/X

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Não é sempre que podemos trazer aqui boas notícias, especialmente um caso em que o pior da esquerda sofre uma derrota nas mãos de uma jornalista não alinhada que, superando uma humilhação feita por esse grupo político na redação do mais influente jornal do mundo, deu a volta por cima. É o caso abaixo.

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Quando a jornalista americana Bari Weiss era editora de opinião do New York Times, no período em que o jornal estava quase completamente capturado pela ideologia progressista identitária (“woke”), ela ousou enfrentar a lacração dos colegas e publicou, em 2018, um especial sobre intelectuais que resistiam à ideologia.

O termo que Weiss escolheu para os intelectuais, que incluíam o ainda pouco conhecido psicólogo canadense Jordan Peterson, foi Intellectual Dark Web, algo como “Rede Intelectual das Sombras” ou “dark web intelectual”. A escolha estilística de Weiss ressoou por muitos anos no mundo anglófono.

Ao mesmo tempo, o jornal cozinhava o “Projeto 1619”, publicado em 2019. Era uma iniciativa de jornalismo historiográfico que quis diminuir a Revolução Americana como evento de fundação dos Estados Unidos para substituí-la pela data da chegada do primeiro navio negreiro ao país. Um projeto woke que foi criticado por historiadores sérios. O NYT lidou com a crítica removendo expressões como “entender 1619 como nossa verdadeira fundação” do texto de abertura da página.

O ambiente do jornal The New York Times ficava cada vez mais opressivo para quem não andava na linha da nova ideologia intolerante da redação, especialmente quando os ideólogos dobraram a aposta após a morte de George Floyd.

Citando bullying dos colegas e um “ambiente iliberal”, Weiss renunciou ao cargo em 14 de julho de 2020. “Fui contratada com a meta de trazer vozes que de outra forma não apareceriam nas suas páginas”, disse ela em carta aberta para publisher (diretor do jornal). Vozes como “escritores de primeira viagem, centristas, conservadores e outros que não pensariam naturalmente no Times como o seu lar”.

A jornalista explicou na carta que a intenção era que o jornal aprendesse alguma coisa sobre a vitória de Trump em 2016, ouvindo o outro lado de sua linha editorial progressista. Mas “a lição não foi aprendida”. Em vez disso, “um novo consenso emergiu na imprensa, mas talvez especialmente neste jornal: que a verdade não é um processo de descoberta coletiva, mas uma ortodoxia já sabida por alguns poucos iluminados cujo trabalho é informar ao resto de nós”.

Bari Weiss derrotou os identitários no final

Agora livre da redação opressiva, Weiss apostou na nova mídia. Em 12 de janeiro de 2021, ela lançou um novo veículo na plataforma Substack (criada em 2017), responsável por reavivar a blogosfera e as newsletters depois do período de trevas desde a ascensão das redes sociais.

A jornalista chamou seu veículo de Common Sense – que significa tanto “senso comum” quanto “bom senso”. Em dezembro de 2022, mudou o nome para The Free Press (“A Imprensa Livre”).

Foi um grande sucesso: de 14 mil assinantes em agosto de 2021 para 210 mil em agosto de 2022, 520 mil em novembro de 2023, 915 mil em novembro de 2024 e 1,25 milhão em agosto de 2025. Desses, segundo o Financial Times, 155 mil são pagantes, trazendo uma renda de cerca de 15,5 milhões de dólares anualmente.

Acompanho The Free Press desde o começo. Lá, já li artigos de autores importantes como Douglas Murray, Sir Niall Ferguson, Ayaan Hirsi Ali e Vinay Prasad. A jornalista Nellie Bowles, esposa de Weiss, escreve uma divertida e espirituosa coluna semanal que faz uma retomada da semana às sextas-feiras em clima de fim de semana.

Lésbica casada, mãe de duas crianças e judia, Bari Weiss é também sionista — outro motivo para ter rusgas com o progressismo, que se tornou ferrenhamente anti-Israel desde o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023.

A editora-chefe, de fato, tem seus vieses, mas é justa, tolerante e já promoveu muitos debates sobre temas delicados no podcast ligado a seu veículo, o Honestly, onde já entrevistou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

A gigante do entretenimento Paramount, que está passando por uma fusão com outra gigante, a Skydance, está se preparando para oferecer até US$ 200 milhões para comprar The Free Press, noticiou ontem o jornal New York Post.

O ressurgimento de Bari Weiss contra seus perseguidores militantes de redação não ficará apenas em ela se tornar multimilionária, no entanto. Os planos da Paramount envolvem dar a ela uma posição sênior à frente da tradicional rede de comunicação CBS News. As negociações ainda estão em seu início.

Traduzindo em termos brasileiros, seria como se Claudio Dantas fosse escolhido para chefiar a Globo News. Imagina?

Como leitor, me preocupo que a aquisição pelo conglomerado interfira na linha editorial e no clima de rebeldia inteligente que sempre encontrei no Free Press. Mas é a sina do sucesso na comunicação. Comunique-se bem o suficiente para ressoar com milhões de mentes, que logo os dilemas desse tipo vêm. Tendo observado há quase uma década as peripécias de Bari Weiss, aguardo ansiosamente pelas cenas dos próximos capítulos.

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