O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói no carnaval do Rio de Janeiro ganhou destaque na imprensa internacional após a escola levar para a Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Lula (PT).
Em sua estreia no Grupo Especial, a agremiação terminou na última colocação, com 264,6 pontos, e recebeu nota máxima apenas no quesito samba-enredo — ainda assim, de apenas dois jurados.
A rede britânica BBC afirmou que o carnaval do Rio “manteve sua tradição de dança vibrante e cores”, mas observou que, neste ano, houve “um elemento adicional de entretenimento: a controvérsia política”.
A reportagem mencionou a presença de Lula no Sambódromo e a representação do ex-presidente Jair Bolsonaro como um “palhaço atrás das grades”, além das críticas da oposição e de ações judiciais que tentaram impedir o desfile sob a alegação de propaganda eleitoral antecipada.
A emissora destacou ainda reações nas redes sociais à ala intitulada “neoconservadores”, que mostrava componentes caracterizados como uma família tradicional dentro de uma lata.
Parte do público classificou o segmento como uma “zombaria dos valores cristãos”. Apesar da polêmica, a BBC registrou que “o desfile de leões gigantes, livros dançantes e plumas coloridas como o arco-íris ainda encantou o público”.
A francesa France 24 também ressaltou que a homenagem “irritou a oposição” antes mesmo da apresentação oficial, com setores da direita descrevendo o espetáculo como uma “campanha disfarçada”.
Segundo a emissora, “os jurados — que avaliam desde o enredo até fantasias, carros alegóricos e coreografia — não se impressionaram com a estreia da Acadêmicos entre as escolas do Grupo Especial”.
Já a Agence France-Presse apontou que a apresentação acumulou críticas por ridicularizar conservadores e relatou que a oposição denunciou uma suposta tentativa de beneficiar o presidente em ano eleitoral. A agência observou que foi o primeiro desfile a homenagear um chefe de Estado em exercício na história recente do carnaval carioca.
A agência espanhola EFE destacou a reação do senador Flávio Bolsonaro, que escreveu nas redes sociais: “O próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT”.
Tema no TSE
O enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” narrou a trajetória do presidente desde a infância em Pernambuco até sua projeção internacional. A escolha do tema motivou ações judiciais para barrar o desfile, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, os pedidos.
Os ministros entenderam que impedir previamente a apresentação configuraria censura, embora tenham ressaltado a possibilidade de punição futura caso fossem identificados ilícitos eleitorais.
