Para ele, centro político foi decisivo em 2018 com Bolsonaro e em 2022 com Lula
O economista e escritor Luciano de Castro afirmou nesta sexta-feira (19), no programa ALive, que o centro político é quem decide os rumos do Brasil, tanto em eleições quanto na aprovação de reformas. Para ele, basta uma pequena parcela pender para um lado ou outro para definir o resultado.
Segundo o economista, o centro político, mesmo que minoritário, foi determinante tanto na eleição de Jair Bolsonaro em 2018, quanto na de Lula em 2022.
“Suponha que você tenha dois lados aqui, um lado direita com 49%, esquerda com 49% e tem um centro aqui com 2%, certo? Quem é que manda nesse país? É o centro, com 2%. No momento em que ele se juntar à direita, a proposta da direita é aprovada. No momento em que ele se junta à esquerda, a proposta da esquerda é aprovada”, afirmou.
Para que haja essa mudança de forma correta, ele diz que precisa haver uma organização da sociedade para buscar ação por parte de quem toma as decisões políticas no país, antes que situações piores aconteçam.
“A gente precisa convencer as pessoas que têm influência sobre o lado político para a decisão que está diante deles. A decisão é: ou a gente faz um processo de reforma organizada, controlada, como aconteceu na Inglaterra, ou a gente corre o risco de ir para uma situação, que aí é um dos cenários que eu descrevi, de revolta, como aconteceu na Revolução Francesa, ou então de completo extermínio da democracia, inclusive com a tomada para essas pessoas mais ricas do país, das suas propriedades, como acontece nos regimes comunistas. Esse é o perigo”, disse.
Castro reconheceu que convencer esse grupo é um processo difícil, mas destacou que a tarefa dos políticos é justamente se empenhar nessa disputa.
“Não é fácil, é muito difícil e eu não vejo como sendo o mais provável. Mas o meu papel aqui é, pelo menos, dar uma solução. E aí são os agentes políticos, eu não sou agente político, eu sou um acadêmico, mas os agentes políticos vendo a possibilidade disso e se empenharam de executar.”
Para ele, o desafio do país está em construir um projeto de reformas que evite cenários extremos, de ruptura social ou de degradação democrática, e consiga trazer estabilidade com apoio desse eleitorado decisivo.
Assista ao programa:
